terça-feira, 27 de agosto de 2013

Momentos de Silêncio com Sri Ramana - O Jnani e o mundo


 

      
Para o jnani é irrelevante

se o mundo aparece ou não.


Quer ele apareça ou não, a sua atenção está sempre no Eu superior.

Repare nas letras e no papel em que elas estão impressas.

Você está completamente absorvido nas letras

e não lhe sobra qualquer atenção para o papel.



Mas o jnani pensa apenas no papel como o verdadeiro substrato,

quer as letras apareçam ou não.




jnani: sábio - conhecedor de Brahman

Fonte: Heart is Thy Name, Oh Lord (Coração é o Teu Nome, Ó Senhor)
          Momentos de Silêncio com
            Sri Ramana Maharshi




Inscrição na parede da entrada do Patala Linga
Templo Arunachaleswara, em Tiruvannamalai


 BHAGAVAN SRI RAMANA e TIRUVANNAMALAI


Bhagavan Sri Ramana nasceu em 30 de Dezembro de 1879 em Tiruchuli, perto de Madurai. Desde a infância "Arunachala" exercia nele um pulsar místico. Quando estudava em Madurai veio a saber através de um parente que Arunachala era outro nome para Tiruvannamalai. Aos dezasseis anos, em 1896, um medo súbito da morte apossou-se dele. Em vez de entrar em pânico, perguntou calmamente: "Chegou a morte. O que é isso que está a morrer?" Uma súbita compreensão despontou nele de que a morte pertence apenas ao corpo e ele era o SER que transcende o corpo. Ele era o Puro Ser e a morte não o podia tocar. Ele tornara-se um sábio Auto-realizado. Pouco tempo depois, Sri Ramana deixou o lar e em 1 de Setembro de 1896 chegou a Arunachala, o magneto que atrai os iluminados e os buscadores do Verdadeiro Conhecimento. Após darshan (bênção) de Arunachaleswara, ele sentou-se absorvido na bem-aventurança do Ser, em vários locais neste templo. Na cave do Patala Linga, insetos e roedores morderam e rasgaram a sua carne e atormentaram o seu corpo. Sri Seshadri Swami desempenhou um papel providencial de protetor, ao trazê-lo para fora do Patala Linga. Sri Ramana depois ficou em vários lugares, nomeadamente Gurumurtham, Templo Arunagirinatha e nas encostas orientais do Monte Arunachala em Pavalakkunru, gruta Virupaksha e Skandasramam. Após conceder mukti (libertação) a sua mãe Alagammal em 1922, Sri Ramana estabeleceu-se no sopé do Monte ao lado do seu túmulo à volta do qual cresceu o presente Sri Ramanasramam. Sri Ramana Maharshi deixou o corpo em 14 de Abril de 1950.
Contudo, a sua presença no Ashram é tão poderosa como antes e atrai milhares de buscadores de todos os cantos do globo. Eles vêm a Arunachala e compartilham da sua Graça magnânima.
- Rambo arts.



Templo Arunachaleswara
No Monte sagrado Arunachala - Nascer do Sol às 6h30


Templo Arunachaleswara








Entrada para o Patala Lingam - Templo dos Mil Pilares


Pormenor interior do Patala Linga - Shiva e Parvati




Entrada para a Gruta Virupaksha


Gruta Virupaksha
Sri Ramana Maharshi esteve aqui de 1899 a 1916


Samadhi Hall - Sri Ramanashramam


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Nas Horas de Meditação






Um excerto do livro: In the Hours of Meditation' (Nas Horas de Meditação)
de F J Alexander


Há horas em que se esquece o mundo.
Há horas em que me aproximo daquela região de bem-aventurança
em que a alma contém apenas a Si mesma na presença do Ser Maior.
É silenciado todo o clamor de desejo; todo o som de sensação é serenado.
Só Deus É.

Não há santuário mais sagrado que uma mente purificada, uma mente concentrada em Deus.
Não há lugar mais sagrado que a região de paz em que a mente entra
quando se torna fixa no Senhor.
Lá não há mais santo e doce-perfumado incenso, a não ser a ascensão do pensamento até Deus.
Pureza, felicidade, bem-aventurança, paz!
Pureza, felicidade, bem-aventurança, paz! Tecem a atmosfera da meditação.

A consciência espiritual desponta nessas horas silenciosas, sagradas.
A alma encontra-se perto da sua fonte.
O regato da personalidade expande-se nestas horas, e torna-se um rio poderoso e veloz,
correndo para a verdadeira e permanente individualidade
que é a Consciência Oceânica de Deus.
E esta é a primeira e única.

Nas horas de meditação a alma extrai do Alto as verdadeiras qualificações
que são em sua própria natureza de destemor,
o senso de realidade, o sentido de imortalidade.
Mergulha no teu Ser, Ó alma!
Busca a hora silenciosa com verdade.
Conhece o teu Ser que é da mesma substância da verdade, a substância da divindade.
Bem no coração da causa primeva Deus habita.





Um excerto do livro: In the Hours of Meditation' (Nas horas de Meditação)
de F J Alexander

Tradução: Blog Texto Meditativo


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Pode um ovo partido ser chocado?

Uma pequena pérola de livro: 'At the Feet of Bhagavan' (Aos pés de Bhagavan)

de Sri T K Sundaresa Iyer


Foi às primeiras horas da manhã no Salão de Sri Bhagavan.
Ele tomou o Seu banho, e de seguida foi para a
extremidade mais distante do Salão para tirar a toalha que pendia de
um bambu suspenso horizontalmente, e numa extremidade do qual
um passarinho tinha construído o seu ninho e nele colocado

três ou quatro ovos.

Ao retirar a Sua toalha, a mão de Sri Bhagavan
veio contra o ninho, que balançou violentamente, de modo que

um dos ovos caiu ao chão. Desta forma o ovo partiu-se;
Sri Bhagavan ficou perplexo, consternado.
Ele exclamou para Madhavan, o assistente pessoal:

"Olha, olha o que eu fiz hoje!"
Assim dizendo, segurou o ovo partido na Sua mão,
olhou para ele com os Seus ternos olhos, e exclamou:
"Oh, a pobre mãe vai ficar tão triste, e talvez zangada comigo também,
por ter causado a destruição do seu pequenino esperado!
A casca do ovo poderá ser unida outra vez? Vamos tentar!


Assim dizendo, pegou num pedaço de pano, molhou-o, envolveu com ele
o ovo partido, e voltou a colocá-lo no ninho.
A cada três horas, Ele retirava o ovo partido, retirava o pano,
colocava o ovo na palma rosada da Sua mão,
e olhava para ele com Seus olhos ternos por minutos seguidos.
O que estava Ele realmente fazendo nesses momentos?
Como é que podemos dizer? Ele estava enviando,
com aqueles olhares maravilhosos de Graça delicada,
feixes vivificantes para o ovo partido,
transmitindo cada vez mais novo calor e vida para ele?
Isso é um mistério que ninguém pode resolver.
E Ele ia repetindo: "Que o partido seja curado!
Não poderá ser chocado mesmo assim? Deixe o pequenino vir
deste ovo partido!"

Esta preocupação ansiosa e ternura de Sri Maharshi
continuou dia após dia por aproximadamente uma semana.
Assim, o ovo afortunado estava no ninho com a sua ligadura de pano molhado,
apenas para ser acariciado por Sri Maharshi com toque divino e olhar benigno.
No sétimo dia, Ele pega no ovo e com o espanto de um estudante anuncia:
"Olha que maravilha! A fenda fechou,
assim a mãe já vai ficar feliz e vai chocar o seu ovo!
Meu Deus libertou-me do pecado de causar a perda de uma vida.
Vamos esperar pacientemente pela saída do abençoado pequenino!"

Mais alguns dias se passam, e finalmente uma bela manhã
Bhagavan encontra o ovo aberto e o pequeno pássaro cá fora.
Com o rosto exultante de alegria, radiante com a luz de sempre,
Ele leva o passarinho na Sua mão, acariciando-o com os lábios,
afagando-o com Sua mão macia,
e passa-o para todos os espectadores para que o possam admirar.
Ele recebe-o por fim de volta em Suas próprias mãos, e está tão feliz,
por um pequeno gérmen de vida ter sido capaz de se desenvolver
apesar do infeliz acidente sofrido em embrião.

Ah, quanta preocupação com a mais pequena criação!
Não é o coração do Buda real, que derramou as primeiras lágrimas de ansiedade
quando o ovo se partiu, e depois lágrimas de alegria
com o nascimento do bebé recém-nascido?
Poderia o leite da bondade ser visto ou concebido mais doce do que isto?
 



Uma vez escrevi dois versos em Tamil,
um em louvor do Senhor sem atributos, o outro do Senhor com inúmeras formas.
Neste último eu escrevi:
"De quem está fluindo a graça sobre o senciente e o insenciente".
Bhagavan pediu-me para mudar uma letra e isso alterou o significado para:

"quem dirige a sua graça para o senciente e o insenciente."
A ideia era que a graça não era uma mera influência,
mas podia ser direcionada com um propósito,
para onde era mais necessária.
Bhagavan deu-nos uma demonstração tangível da
omnipotência, omnisciência e omnipresença de Deus.

O nosso sentido de 'eu' era queimado na admiração e adoração
ao ver o seu amor incondicional por todos os seres vivos.
Embora exteriormente nós parecêssemos manter-nos sempre a mesma pessoa,
interiormente ele estava trabalhando em nós
e destruindo as raízes profundas da separatividade e auto-interesse.
Chega sempre um dia em que
a árvore do "eu", cortada das suas raízes, cai de repente e
não é mais; esta é a Graça do Guru!





Fonte:

O Forum dedicado a Arunachala e Bhagavan Sri Ramana Maharshi ;
Postagem de Ravi.N em Abril.2012

Tradução: Blog Texto Meditativo



segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Aqueles que crêem no Seu nome



Arte de Niako Nakar
Unión com el Yo Superior
Arte de Niako Nakar


"Crer no seu nome": comunhão com a sagrada Vibração Cósmica


O significado mais profundo de "nome" refere-se Vibração Cósmica (o Verbo, Om, Amém). Deus como Espírito não possui um nome limitante. Se alguém se refere ao Absoluto como Deus ou Jeová ou Brahman ou Alá, isso não O expressa. Deus, o Criador e Pai de todos, vibra através da natureza como a vida eterna, e essa vida tem o som do grande Amém ou Om. Esse nome define Deus com mais precisão. "Aqueles que crêem no seu nome" significa aqueles que comungam com esse som Om, a voz de Deus na vibração do Espírito Santo. Quando alguém ouve esse nome de Deus, essa Vibração Cósmica, está a caminho de se tornar um filho de Deus, porque nesse som a sua consciência entra em contacto com a Consciência Crística imanente que o levará a Deus como Consciência Cósmica.


O sábio Patanjali (*), o maior expoente do yoga na Índia, descreve Deus o Criador como Ishvara, O Senhor ou Governante Cósmico. O seu símbolo é o Pranava (o Verbo ou Som Sagrado, Om). Através da recitação repetida e devocional de Om, e da meditação sobre o seu significado, os obstáculos desaparecem e a consciência interioriza-se (afastando-se da identificação sensorial externa)" (Yoga Sutras 1:27-29).


A condição comum dos seres humanos é que a sua consciência está escondida e limitada pelo corpo. O corpo do homem, sendo uma expressão vibratória delimitada, existindo na Vibração Cósmica, mas dela separada, de forma similar circunscreve a consciência. O Yoga ensina que o aspirante espiritual deve percorrer de novo os vários estádios de vibrações mais altas, a fim de solevar a consciência das vibrações aprisionantes da respiração, coração e circulação, para o som mais subtil da vibração que emana dos átomos do corpo e da força da vida. Através de uma técnica de meditação no Om, conhecida dos estudantes das Lições da Self-Realization Fellowship [Yogoda Satsanga], o devoto toma conhecimento de que a sua consciência é limitada pelas constrições da carne,  evidenciadas pelos sons da respiração, coração, e circulação. Então, pelo aprofundamento da sua meditação, ele pode ouvir a voz do grande Om ou Amém, o som cósmico que emana de todos os átomos e centelhas de energia cósmica. Escutando este som omnipresente, e mergulhando na sua corrente sagrada, a consciência da alma enclausurada no corpo começa gradualmente a desprender-se das limitações do corpo, em direção à omnipresença. As faculdades mentais renunciam aos seus limites e, com a omnisciente faculdade da alma, a intuição, entram em sintonia com a Mente Cósmica, a Inteligência imanente na Vibração Cósmica que tudo permeia.


Depois de ouvir e sentir a unidade com o som cósmico do Espírito Santo que emana de todas as partes e partículas da criação de Deus, esferas de ser de concepção celestial e ideacional, a consciência do devoto em meditação vibrará em toda a criação como seu próprio corpo cósmico. Quando a sua consciência expandida se torna estável em toda a criação vibratória, ele percebe a presença da Consciência Crística imanente. Então o devoto torna-se como Cristo; a sua consciência experiencia, nos caminhos do seu Ser expandido, a "segunda vinda de Cristo" - a presença dentro dele da Consciência Crística, assim como Jesus sentiu o Cristo Universal expresso no seu corpo e ensinou os seus discípulos a alcançar o mesmo.


Quando o devoto sente a sua consciência una com o Cristo Universal, ele percebe que a Consciência Crística é o reflexo, na sua alma e em toda a criação, da Consciência Cósmica de Deus-Pai.


A Consciência Cósmica  (Deus-Pai) existindo transcendentalmente, além de toda a criação vibratória (Espírito Santo), e a Consciência Crística (Inteligência Universal, Kutastha Chaitanya) existindo em toda a manifestação vibratória, são percebidas como uma só e a mesma.


O devoto rejubila na alegria suprema, como Jesus proclamou,
"Eu (Consciência Crística na criação)
e o meu Pai (Consciência Cósmica para além da criação)
somos um."




(*) Desconhece-se em que época viveu Patanjali, embora muitos estudiosos o situem no século II a.C. O seu renomado livro Yoga Sutras apresenta, numa série de breves aforismos, a essência condensada da ciência extraordinariamente vasta e intrincada da união divina - descrevendo o método para unir a alma ao Espírito indiferenciado de forma tão bela, clara e concisa, que gerações de estudiosos têm reconhecido os Yoga Sutras como a principal obra da Antiguidade a respeito do yoga.











The Second Coming of Christ

Tradução: Blog Texto Meditativo

A Segunda Vinda de Cristo, Volume I (Extracto: Discurso 1 - Pág. 24) 
(A Ressurreição do Cristo Interno)
Um revelador comentário sobre os ensinamentos originais de Jesus

Editora: Yogoda Satsanga Society of India/Self-Realization Fellowship

Sri Sri Paramahansa Yogananda


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Ramanashram, Hoje




 Arthur Osborne


Há tantos centros espirituais na Índia, que não só o turista estrangeiro, mas até mesmo o devoto indiano pode muito bem ser desculpado por se questionar sobre qual  visitar. No entanto, não é simplesmente uma questão de duplicação; cada um tem seu próprio caráter específico, de modo que, enquanto um atende à necessidade de uma pessoa, outro oferece um refúgio para outra. 

Primeiro de tudo, surge a questão do objetivo de um centro espiritual, porque isso decide o tipo de pessoas que são suscetíveis de ser atraídas para ele. O Maharshi estava clara e unicamente interessado em orientar as pessoas para a Libertação ou Auto-realização, que é moksha (libertação; emancipação final; liberação de transmigração). Mas esse não é o caso de todo o Ashram e lugar santo? Nem por isso. Há lugares onde as pessoas vão para orar por um filho ou um trabalho, para ganhar uma ação judicial ou passar num exame, para se libertarem da doença ou infortúnio. 

Eu não digo que tais orações não são sempre respondidas no Ramanashram, mas eu digo que o Maharshi não aprovava tais motivos naqueles que vinham até ele. Em vez disso, ele tentou despertar neles a percepção de que eles não eram o corpo que sofre, mas o Si eternamente bem-aventurado e, assim, dar-lhes a serenidade mesmo na adversidade. 

Há também lugares onde as pessoas vão na esperança de  desenvolver poderes, obter visões da divindade, ler os pensamentos das pessoas, curar doenças, e assim por diante. Para todos esses aspirantes o Maharshi era ainda mais desanimador. Não só esses poderes não conduzem à Libertação, mas realmente até podem ser um impedimento, uma vez que os homens se tornam tão ligados a eles, ou ao desejo deles, como às riquezas do mundo e ao poder. 

Tudo isso implica que o Ramanashram não é um lugar visitado por grandes multidões em busca de ganhos transitórios. Pelo contrário, é para o aspirante sério que compreendeu que a Libertação é o objetivo supremo e que busca a graça e o apoio do Mestre para guiá-lo no seu caminho.

Mesmo que haja concordância quanto à meta, existem vários caminhos ou disciplinas para se chegar a ela. O Maharshi ensinou o caminho da Auto-investigação - Quem sou eu?. Isto não significa investigar a mente, consciente ou subconsciente, mas buscar o Si subjacente à mente. Por isso ele disse: "Não pode haver resposta para a pergunta; qualquer resposta que a mente dê tem de estar errada." A resposta vem como um despertar de pura consciência, uma corrente de conhecimento no coração.

Isso é puro jnana (Conhecimento do Absoluto que transcende forma e sem-forma), mas o Maharshi também ensinou um caminho de bhakti (devoção e amor). Ele costumava dizer: "Há dois caminhos: pergunte a si mesmo 'Quem sou eu?', ou submeta-se." Um filósofo poderia facilmente provar que esses dois caminhos são mutuamente exclusivos. Se você busca ter consciência da sua identidade com o Eu Único Universal, que é o Absoluto, você, logicamente, não pode adorar um Deus pessoal ou Guru ao mesmo tempo. Logicamente não, mas na vida real você pode, porque tem diferentes estados de humor e é ajudado através de diferentes tipos de abordagem. Portanto, apesar da lógica, o Maharshi disse que os dois caminhos não são incompatíveis; e os seus devotos constataram que assim é.

Compreender-se-á que estes dois caminhos são disciplinas internas diretas, independentes de ritual; por isso aqui temos uma outra característica do Ramanashram. Existe lá um mínimo de ritual e organização. As pessoas vão e sentam-se silenciosas em meditação diante do santuário do Maharshi ou na sala onde ele esteve sentado durante tantos anos com seus devotos. Caminham na montanha sagrada Arunachala, ou sentam-se nos seus quartos. Fazem visitas ou conversam. Podem escolher tomar as suas refeições no Ashram ou preparar a sua própria comida. Não há quase nenhuma disciplina exterior. Os Vedas são cantados em frente ao santuário, de manhã e à noite, como era costume acontecer na presença do Maharshi, em seu tempo de vida, mas mesmo para esta audiência não existe obrigação. E aqueles que comparecem sentam-se juntos, ombro a ombro, brâmane e não-brâmane, Hindu e estrangeiro, o que não agradaria àqueles que fazem da ortodoxia um fetiche. Isto, no entanto, não implica frouxidão;  a disciplina vem de dentro.

Puro jnana marga (caminho do conhecimento) e puro bhakti marga que seja, o caminho do Maharshi contém também um forte elemento de karma marga (caminho de ritual, deveres religiosos e acção), já que ele espera que os seus devotos o sigam na vida do mundo. Uma vez por outra alguém vinha ter com ele e pedia a sua autorização para renunciar ao mundo, e ele não a dava.

"Por que você acha que é um chefe de família? O pensamento semelhante de que você é um Sannyasin (aquele que renunciou ao mundo) irá assombrá-lo, mesmo se você partir como um. Quer continue na família ou renuncie a ela e vá morar na floresta, a sua mente persegue-o. O ego é a fonte do pensamento. Ele cria o corpo e o mundo e faz você pensar ser um chefe de família. Se você renunciar, ele só irá substituir o pensamento de renúncia pelo da família e o ambiente da floresta pelo de chefe de família. Mas os obstáculos mentais estão sempre lá para si. Eles até aumentam nos novos ambientes. Mudança de ambiente não ajuda. O único obstáculo é a mente, e isso deve ser superado seja em casa ou na floresta. Se você pode fazê-lo na floresta, por que não em casa? Então, por que mudar o ambiente?".
Como é que isto afeta o Ramanashram? Em primeiro lugar, significa que se encontram lá poucos sadhus ou sannyasins. Além disso, não são muitos os devotos do Maharshi a viver lá permanentemente. A maioria deles prossegue a sua vida profissional no mundo, praticando o seu sadhana (uma busca espiritual ou o caminho para a libertação, a técnica de esforço espiritual) não visível, sem forma ou ritual, e só vindo a Tiruvannamalai de vez em quando, para recarregar as baterias, por assim dizer. Pensando neles, um médico, um engenheiro, um professor, um gerente de banco, um editor, um proprietário de cinema, e muitos outros, vêm à mente. Quando se torna apropriado para um deles se aposentar da vida ativa no mundo e se estabelecer em Tiruvannamalai, as circunstâncias tornam-se propícias. E assim acontece. Os visitantes tendem, portanto, a ser tal como se empenharam na sua vida, de silenciosa e invisível sadhana durante a execução de suas obrigações no mundo, e buscam a graça do Maharshi, o poder de seu apoio, para ajudá-los a ser assim.

Outro resultado da natureza essencial, sem-forma, do caminho do Maharshi é a grande proporção de estrangeiros, entre os visitantes e os devotos residentes. Não há necessidade de ser Hindu para o seguir. Qualquer pessoa, qualquer que seja a religião que professe, quer professe qualquer religião formal ou não, pode praticar a Auto-investigação ou pode venerar e submeter-se. Portanto, o Maharshi nunca esperava que qualquer de seus devotos mudasse de uma religião para outra. Cristãos, Muçulmanos, Judeus, Budistas, Parses vieram até ele, tal como os Hindus. Alguns continuaram a praticar as formas das suas religiões, outros não; isso era com eles.

Evans-Wentz, bem conhecido escritor sobre Budismo Tibetano, visitou o Maharshi e perguntou se ele recomendava quaisquer métodos especiais para os europeus, e ele respondeu: "Depende do equipamento mental do indivíduo. Não há regras rígidas e rápidas." Cada aspirante foi guiado e ajudado de acordo com a sua aptidão, não em qualquer base de raça, casta, sexo ou religião.

Enquanto o presente artigo estava sendo escrito, aconteceu que o Ashram recebeu uma carta de uma senhora Americana que nunca viu o Maharshi, e na verdade nunca esteve na Índia, contendo a seguinte mensagem:

"Grande bênção e bem-aventurança recebi inesperadamente.
Às 7 da manhã, antes de acordar, uma visão vívida do Maharshi, potente e poderosa, foi-me concedida por breves instantes, a cores. Sim, eu sei que visões não são o nosso objetivo e meta. No entanto, a profundidade da rendição, êxtase, admiração, onda após onda, cada vez mais fundo - onda após onda de Felicidade inefável - foi esmagador, maravilhoso e encorajador: quase todo vestígio de mente desapareceu. O véu para o Si era delicado, ténue, fino. Naturalmente, reconhecida, humilde e grata, a minha dedicação aprofunda-se muito depois disto. A envolvência e o impacto está comigo ainda."

É claro. É de admirar que as pessoas se voltem para ele de todas as partes do mundo? Mesmo de para lá da Cortina de Ferro chegam cartas.

Normalmente, tem sido possível para qualquer aspirante espiritual em qualquer religião encontrar orientação no âmbito de sua própria tradição. Hoje já não é fácil, ou sequer possível, encontrar um guia em qualquer religião que tenha alcançado as alturas e possa guiar os outros para aí. Também não é fácil, mesmo tendo um guia assim, seguir qualquer caminho estritamente ortodoxo nas condições do mundo moderno. No entanto, a graça divina sempre fornece uma resposta para as necessidades do homem, e nesta era já apareceu na terra o guia supremo, trazendo um caminho para ser seguido de forma não visível por qualquer pessoa que lhe entregue o seu coração.

O Maharshi lembrou frequentemente àqueles que vieram ter com ele, que eles não eram o corpo. Agora há aqueles que presumem que ele era o corpo e, não vendo o seu corpo em Tiruvannamalai, interpretam que ele não está lá. Mas não aqueles que sentiram em seus corações o poder e a subtileza de sua orientação, a vibrante paz de Arunachala que permeia tudo, a montanha sagrada em cujo sopé está localizado o seu Ashram. Ele costumava dizer: "O objetivo do Guru externo é apenas despertar o Guru interno no coração" E pouco antes de deixar o corpo, ele disse a um grupo de devotos: "Quando o Guru despertou o Guru interno no coração dos seus devotos, ele está livre para deixar o corpo."
Sim, pode-se dizer, está tudo muito bem para aqueles que eram já seus devotos quando ele perdeu o corpo, mas o que dizer daquelas pessoas que se aproximam dele agora e sentem a necessidade de um Guru externo?
Pode ser que em alguns casos ele os influencie indiretamente através desses discípulos mais velhos, nos quais o Guru interno foi despertado. Certo é que, em muitos casos, ele influencia-os diretamente e poderosamente, como aconteceu com a senhora Americana, cuja carta citei (embora não necessariamente com qualquer sonho ou visão).

Uma vez, um visitante perguntou se o contato com o Guru continuaria após a dissolução de seu corpo físico e ele respondeu: "O Guru não é a forma física, por isso o contato permanecerá mesmo após a sua forma física desaparecer."

Se se perguntar como pode ele orientar as pessoas ou executar qualquer função após se ter tornado Um com o Absoluto, a resposta é: em primeiro lugar, ele não se tornou Um com o Absoluto, mas simplesmente percebeu a sua preexistente e eterna Unidade. Em segundo lugar, ele já tinha percebido esta Unidade enquanto usava o corpo e era Universal então, como ele é agora. Ele mesmo nos disse que a morte não faz diferença para o jñani (uma pessoa Auto-realizada, um sábio; alguém que atingiu a realização pelo caminho do conhecimento). A única maneira de entender como o jñani, que é universal, pode executar uma função específica, é tornar-se um. Portanto, quando as pessoas lhe faziam tais perguntas ele normalmente respondia: "Não se preocupe com o jñani; primeiro descubra quem você é." E quando você tiver feito isso plenamente você é o jñani.

Mas, certamente, essa orientação continuada depois de deixar o corpo é incomum! Sim, é incomum, mas quem é que pode atar a Divina Providência a regulamentos? As circunstâncias também são incomuns. Tenho observado como o caminho sem-forma que o Maharshi prescreveu compensa a dificuldade atual em encontrar orientação adequada dentro das formas de qualquer religião; da mesma forma, o Guru invisível pode compensar a dificuldade moderna em encontrar um Guru vivo totalmente poderoso na Terra.  Tais explicações são para aqueles que gostam de especular; para aqueles que se contentam em se esforçar ao máximo no caminho, a orientação está lá.

Esta orientação invisível também tem um efeito sobre o Ashram.
Isso significa que muitos ou a maioria dos que vêm, tanto da Índia como do exterior, são novas pessoas que nunca viram o Maharshi em vida, mas têm sido atraídas para ele de várias formas desde então.

A conclusão, então, é que se você é um ritualista ou formalista rigoroso, se você almeja bênçãos materiais, se você busca visões ou poderes, há outros lugares mais adequados para si do que o Ramanashram. Mas se você entendeu o objetivo espiritual final de libertação, e busca a graça e orientação sobre o caminho, você vai encontrá-lo no Ramanashram.


Inigualável Amor e Graça
Surpassing Love and Grace


Tradução: Blog "Texto Meditativo"
Fotos: Blog "Texto Meditativo"


Jovem Ramana
Templo Annamalaiyar  em Tiruvannamalai 

No topo do Templo do Sri Ramanashramam,
meditando: 'Arunachala-Shiva'