Pelo caminho de sua graça que nem os deuses podem conhecer, ele veio como um Mestre, numa forma conhecível pelos sentidos e facilmente acessível aos corações dos homens, colocando sobre a terra aqueles pés santos que brilham como joias luminosas engastadas no alvorecer da sabedoria. |
Quinta-Feira, 7 de Outubro de 2011 Alguém me escreveu recentemente dizendo que acha que o uso da palavra 'destruição' em 'destruição da mente' (manōnāśa) é apenas 'hipérbole indiana' e não deve ser tomada literalmente, porque é óbvio que Bhagavan e outros jñānis pensam, pois sem pensar não podiam andar nem falar. Espero que não haja muitas outras pessoas que tenham entendido mal os ensinamentos de Bhagavan sobre manōnāśa dessa maneira, mas como manōnāśa é o objetivo que ele nos ensinou que devemos almejar alcançar, acredito que a seguinte adaptação da minha resposta a esta pessoa pode ser útil para outros devotos. Para se compreender o que Bhagavan quer dizer com manōnāśa (a destruição, aniquilação, eliminação, ruína, desaparecimento ou morte da mente), devemos primeiro considerar o que ele quer dizer com ‘mente’ ou manas. No versículo 18 de Upadēśa Undiyār (a versão original em Tâmil de Upadēśa Sāram) ele diz: A mente é apenas pensamentos. De todos os pensamentos, o pensamento chamado 'eu' é a raiz. [Portanto] o que é chamado de 'mente' é [em essência apenas este pensamento-raiz] 'eu'. No versículo 2 do Hino Āṉma Viddai (Auto-Conhecimento) ele indica que o que ele quer dizer aqui com 'o pensamento chamado eu' é o pensamento 'eu sou este corpo' (a ilusão de que o corpo físico é 'eu'): Uma vez que o pensamento 'este corpo composto de carne sou eu' é o único fio no qual [todos] os vários pensamentos estão amarrados, se se for interiormente [investigando] 'Quem sou eu? Qual é o [seu] lugar [a fonte da qual este 'eu' surgiu, e o solo sobre o qual ele está]?' os pensamentos cessarão, e na caverna [do coração] ātma-jñāna [auto-conhecimento] brilhará espontaneamente como 'eu [sou apenas] eu'. Isto é silêncio, o espaço único [vazio] [da consciência], a morada da bem-aventurança. O facto de a mente ser em essência nada mais que a falsa identificação do nosso ser, que é pura consciência de ser (sat-cit), como um corpo físico, que é um objeto não consciente (jaḍa), também é enfatizado por Bhagavan. no versículo 24 de Uḷḷadu Nāṟpadu: O corpo jaḍa [não-consciente] não diz 'eu' [porque não experimenta a si mesmo]; sat-cit [existência-consciência] não surge [ou vem a ser]; [mas] entre [consciência e corpo] surge um ‘eu’ como a dimensão do corpo. Saiba que esta [falsa consciência 'eu sou este corpo'] é cit-jaḍa-granthi [o nó entre a consciência e o não-consciente], bandha [escravidão], jīva [a alma ou pessoa], o corpo subtil, o ego , este saṁsāra [errância, atividade inquieta, ilusão ou ignorância] e manam [a mente]. Assim, a mente é uma mistura confusa do real e do irreal. O seu elemento real é o seu aspecto sat-cit, 'eu sou', e o seu elemento irreal é o seu aspecto jaḍa, o corpo e todos os outros adjuntos que ela confusamente interpreta de forma errada como sendo 'eu'. O que é destruído em manōnāśa é apenas o seu aspecto irreal jaḍa e não o seu aspecto sat-cit real, que é eterno e, portanto, indestrutível e imutável. Portanto, como a mente confunde a consciência (cit) com o não-consciente (jaḍa), ela é chamada de cit-jaḍa-granthi, o nó (granthi) que aparentemente liga a consciência ao não-consciente. Numa conversa registada no último capítulo de Maharshi's Gospel (13ª edição, 2002, página 89, Capítulo Aham and Aham-Vritti) (ou Livro em Português: Ramana Maharshi - Ensinamentos Espirituais - Capítulo "Aham e Aham-Vritti", pág. 135-136), Bhagavan enfatiza o facto de que a mente ou ego nada mais é do que cit-jaḍa-granthi: [...] o ego possui apenas uma característica [relevante]. O ego atua como o nó entre o Eu superior[,] que é a Consciência Pura[,] e o corpo físico[,] que é... insenciente. Portanto, o ego é chamado de cit-jaḍa granthi. Na sua investigação sobre a fonte de aham-vṛtti [o pensamento 'eu'], você toma o aspecto essencial cit do ego; e por este motivo a investigação deve levar à realização da Consciência pura do Eu superior. Bhagavan diz que este pensamento primordial 'eu' (a falsa impressão 'eu sou este corpo') é a raiz de todos os outros pensamentos e o fio sobre o qual eles estão amarrados, porque é o pensador e experimentador deles, então sem ele nenhum outro pensamento poderia existir. Portanto, todo o pensamento ou atividade mental está dependente desta delusão 'eu sou este corpo', que é a mente ou ego. No estado de vigília, a mente confunde-se como sendo este corpo presente, e no sonho confunde-se como sendo algum outro corpo imaginário. Os corpos mudam, mas o falso “eu” que toma cada um deles como ele mesmo permanece essencialmente o mesmo. Como toda a nossa vida física é apenas um sonho que ocorre no nosso sono prolongado de auto-ignorância, quando um corpo morre, a mente imagina outro corpo como sendo ela mesma e, assim, passa por uma longa série de vidas físicas (sonhos). É por isso que Bhagavan diz no versículo 25 de Uḷḷadu Nāṟpadu: Agarrando a forma [um corpo], o ego-fantasma sem forma surge; agarrando a forma [um corpo, objetos percebidos através dos sentidos desse corpo, e pensamentos e sentimentos sobre tais objetos], ele perdura; agarrando-se e alimentando-se da forma [tais pensamentos e objetos], ele cresce [expande-se ou floresce] abundantemente; deixando [uma] forma, ele agarra [outra] forma. [Entretanto] se [alguém] busca [a verdade dele investigando o que ele é], ele levanta voo. [Portanto] Investigue [ou saiba]. Como a mente ou ego não tem forma própria, parece existir apenas prestando atenção às formas (que são todas produtos da sua imaginação), mas se tentar prestar atenção a si mesma, não encontrará nenhuma forma para apreender, por isso diminuirá e desaparecerá. A mente parece existir apenas na vigília e no sonho, quando ela apreendeu um corpo como sendo ela mesma, mas retrocede e desaparece no sono, porque o sono é um estado em que ela está muito exausta para captar qualquer forma, então ela retrocede na sua fonte para recuperar a sua energia. Porque o sono é apenas um estado temporário de submergência, é um estado de manōlaya (suspensão da mente), e a partir dele a mente obviamente se elevará de novo. Da mesma forma, a morte e o coma são apenas estados de manōlaya, assim como qualquer submergência temporária ou samādhi alcançado por meio do yōga e outras práticas espirituais que envolvem prestar atenção a qualquer coisa diferente do ‘eu’. Portanto, no versículo 13 de Upadēśa Undiyār Bhagavan distingue os dois tipos básicos de submergência da mente, temporária e permanente: A submergência [da mente] é [de] dois [tipos], laya e nāśa. Aquilo que está deitado [em laya] se levantará. Se a [sua] forma morrer [em nāśa], não se levantará. Neste versículo Bhagavan deixa claro que nāśa é distinto de qualquer tipo de laya (que são todos temporários, porque são estados dos quais a mente mais cedo ou mais tarde se levantará novamente), e que é permanente, porque é um estado no qual a mente está morta e do qual nunca mais se levantará. Bhagavan escreveu este versículo no contexto de um breve esboço que ele deu de práticas de yōga como prāṇāyāma (controlo da respiração), que por si mesmas só podem acarretar manōlaya e não manōnāśa (como ele explica com mais detalhes no oitavo parágrafo de Nāṉ Yār?, que cito mais abaixo), então no versículo seguinte (versículo 14) ele enfatiza que a mente só será destruída quando praticarmos o caminho único da auto-investigação (ātma-vicāra): Somente quando [alguém] envia a mente — que se submerge [apenas temporariamente em laya] quando [alguém] restringe a respiração — para o ōr vaṙi, a sua forma cessará [ou morrerá em nāśa]. As palavras do Tâmil ōr vaṙi têm dois significados literais possíveis, '[o] caminho [único ou especial]' e '[o] caminho de investigação [exame ou conhecimento]', mas qualquer que seja o significado que escolhermos, eles se referem ao mesmo caminho, ou seja, o caminho único da auto-investigação (ātma-vicāra). Bhagavan expressa essa mesma verdade em outras palavras no oitavo parágrafo de Nāṉ Yār? (Quem sou eu?):
No versículo seguinte de Upadēśa Undiyār (versículo 15), Bhagavan descreve o estado de manōnāśa da seguinte forma: Quando a forma-da-mente é aniquilada, para o grande yōgi que fica [assim] estabelecido como a realidade, não há uma única ação [ou fazer], [porque] ele alcançou a sua [verdadeira] natureza [que é ser sem-ação]. A pessoa que me escreveu alegando que manōnāśa (destruição da mente) não deve ser tomada literalmente escreveu: 'O pensamento continua, mesmo para alguém como Ramana (e todos os outros Jnanis), caso contrário, como Ramana pode caminhar até à cozinha ou responder a perguntas?', mas neste versículo Bhagavan enfatiza que para os jñānis não há ação alguma, o que significa que não há absolutamente nenhum pensar, falar ou caminhar. Como ele muitas vezes explicou, as atividades corporais e mentais dos jñāni parecem existir apenas na visão ignorante dos outros (ajñānis), que o confundem com o corpo e a mente que fazem tais ações, porque na visão clara dos jñāni tudo o que existe é apenas o Eu superior, que é pura consciência não-dual de ser (sat-cit). Porque nos confundimos com um corpo e uma mente, confundimos até mesmo o jñāni com um corpo e uma mente, mas para ele (ou ela) não existe tal coisa. Quando Bhagavan traduziu este versículo para o Malaiala (numa métrica que era mais longa do que as métricas que ele usou nas versões em Tâmil, Sânscrito e Télugo), ele acrescentou uma oração relativa que descreve o grande ātma-yōgi como 'aquele que é visto como humano pela aparência externa' (vēṣattāle manuṣyanāy kāṇum), indicando assim que a forma humana do jñāni é meramente uma aparência externa (vēṣa) que parece ser real apenas na perspectiva dos ajñānis. É por isso que Bhagavan costumava dizer (como registado no versículo 283 do Guru Vācaka Kōvai e em outros lugares) que o aparecimento do guru em forma humana é como o aparecimento de um leão no sonho de um elefante, pois o choque de ver o leão faz com que o elefante acorde. Embora o leão seja irreal, sendo apenas uma criação da própria mente do elefante, o despertar que ele causa é real. Do mesmo modo, a forma externa do guru é irreal, sendo apenas uma criação da nossa própria mente que sonha, mas faz com que despertemos para o nosso eu real, porque o que vemos externamente como a forma humana do guru na verdade nada mais é do que o nosso próprio eu essencial, que sempre brilha em nosso coração como 'eu sou'. A verdade que Bhagavan nos ensina no versículo 15 de Upadēśa Undiyār é ensinada por ele igualmente enfaticamente no versículo 31 de Uḷḷadu Nāṟpadu: Para aqueles que gozam de tanmayānanda [a 'felicidade composta d'aquilo', ou seja, o eu real], que surgiu [como 'Eu sou Eu'] destruindo o [falso] eu [a mente ou ego], o que [ação] existe para fazer? Eles não conhecem qualquer outra coisa além do ser, [então] quem pode [ou como] conceber o seu estado como «é assim»? Na experiência clara e imaculada de um jñāni, nada existe além do eu, do ser, então não há mente, corpo ou mundo e, portanto, nada para fazer qualquer ação. Esta é uma verdade que Bhagavan repetidamente enfatizou não só nos seus próprios escritos, mas também em muitas das conversas com ele que foram registadas por outros, e é por isso que ele escreveu nos versículos 30 a 33 de Uḷḷadu Nāṟpadu Anubandham: Assim como uma pessoa que está [aparentemente] ouvindo uma história [mas cuja] mente foi para longe [e que, portanto, não ouve realmente o que está sendo dito], uma mente na qual [todas as] vāsanas [propensões ou desejos] foram destruídas [realmente] não faz [nada] mesmo que esteja [aparentemente] a fazer. [Por outro lado] uma mente que está saturada com elas [vāsanas] está realmente a fazer mesmo que [aparentemente] não esteja a fazer [nada], [assim como] uma pessoa que sobe a um monte e cai num precipício em sonho, mesmo que ela esteja deitada imóvel aqui [neste mundo de vigília]. A atividade [de vigília ou de sonho], o niṣṭhā [absorção ou samādhi] e o sono profundo que estão [aparentemente ocorrendo] para o mey-jñāni [o conhecedor da realidade], que está adormecido dentro do corpo carnal, que é [como] uma carroça, são semelhantes à carroça em movimento, parada, ou que fica sozinha [com os bois desatrelados], em relação a uma pessoa a dormir na carroça. [Ou seja, estes estados transitórios do corpo e da mente não são experimentados pelos jñāni, assim como os estados de uma carroça não são experimentados por uma pessoa que está a dormir nela.] Para aqueles que experimentam a vigília, o sonho e o sono profundo, o sono-desperto, [que está] além [destes três estados transitórios], é chamado de turīya [o 'quarto']. Uma vez que somente aquele turīya existe, [e] já que os três [estados de vigília, sonho e sono profundo] que parecem [existir] não existem, tenha a certeza [que turīya é realmente] turīya-v-atīta [turīyātīta, aquilo que transcende o 'quarto']. Dizer que 'saṁcita e āgāmya não aderem ao jñāni [mas] prārabdha permanece' é uma resposta dada às perguntas dos outros. Assim como [qualquer uma] das esposas não ficou sem ser viúva quando o marido morreu, saiba que [quando] o fazedor [morreu] todos os três karmas cessam. Uma vez que a experiência do jñāni é que somente o eu, o ser, existe, e nada mais alguma vez existiu, a mente que agora experimentamos não existe realmente, mas é apenas uma ilusão. Portanto, o estado que é chamado manōnāśa (destruição da mente) não é realmente um estado em que algo que existia foi destruído, mas é apenas o conhecimento claro de que nada além do eu, do ser, jamais existiu. É por isso que no versículo 17 de Upadēśa Undiyār Bhagavan diz: Quando [alguém] examina a forma da mente sem esquecimento, [ficará claro que] nada como ‘mente’ existe. Para todos, este é o caminho direto [reto, próprio, correto ou verdadeiro]. Se virmos uma corda caída no chão na penumbra do crepúsculo, podemos confundi-la com uma cobra. Assim como essa cobra não existe realmente, mas é apenas uma imaginação, esta mente não existe realmente, mas é apenas uma imaginação. E assim como a única realidade subjacente à aparência da cobra é apenas uma corda, assim também a única realidade subjacente à aparência desta mente é apenas o eu, o ser, que é absolutamente não-dual consciência de ser e, portanto, completamente desprovida de todos os pensamentos, percepções. e diferenças. Por outras palavras, o que agora experimentamos como a nossa mente finita, de facto não é senão o nosso ser infinito, e se o experimentarmos como ele realmente é, não parecerá mais ser esta mente finita, que pensa pensamentos e experimenta coisas que parecem ser diferentes dela. Portanto, dizer que a mente é destruída por reconhecermos que ela não é senão o ser é como dizer que a cobra é destruída por reconhecermos que ela é apenas uma corda. Tais declarações não pretendem implicar que a mente ou a cobra realmente existiram como tal, porque o que é destruído não é a sua existência real, mas apenas a ilusão de que elas existiram. Quando a mente é assim destruída, o cit-jaḍa-granthi (o nó entre a consciência e o não-consciente) é cortado, o que significa que a sua porção jaḍa (não-consciente) (ou seja, o corpo e todos os outros adjuntos que identificamos como 'eu') desaparece, e apenas a sua porção cit (consciência), 'eu sou', permanece, porque é a única realidade. Como este nó é um conhecimento errado de nós mesmos, ele só pode ser destruído pelo verdadeiro auto-conhecimento, e o único meio pelo qual podemos experimentar o verdadeiro auto-conhecimento é ātma-vicāra, porque não podemos experimentar o que realmente somos a menos que tenhamos uma atenção profunda e vigilante a nós mesmos, retirando inteiramente o nosso poder de atenção de todas as outras coisas. Esta é a verdade que Bhagavan nos ensina no versículo 16 de Upadēśa Undiyār: Tendo desistido de [conhecer] viṣayas externos [objetos, assuntos, estados, eventos ou experiências], a mente conhecer só a sua própria forma de luz é o verdadeiro conhecimento [ou conhecimento da realidade]. Em estados de manōlaya como sono, coma, morte ou yōga-nidrā (que é um termo que está registado como Bhagavan tendo usado algumas vezes para descrever qualquer estado de samādhi que é causado por qualquer outro meio que não seja a auto-atenção), a mente se submergiu porque deixou de experimentar quaisquer viṣayas externos, mas o seu desaparecimento é apenas temporário, porque se submergiu sem conhecer claramente 'a sua própria forma de luz' — a sua forma essencial de consciência pura. Para ser destruída, a mente não deve apenas deixar de experimentar quaisquer viṣayas externos, mas também deve experimentar claramente 'a sua própria forma de luz' (que é 'o aspecto essencial cit [consciência] do ego [a mente ou cit-jaḍa granthi]' a que Bhagavan se referiu na parte da conversa registada no último capítulo do Evangelho de Maharshi à qual me referi anteriormente). A mente não pode experimentar 'a sua própria forma de luz' com absoluta clareza, a menos que tenha desistido completamente de experimentar quaisquer viṣayas externos, mas pode desistir completamente de experimentar quaisquer viṣayas externos sem experimentar claramente 'a sua própria forma de luz', como acontece no sono e em outros estados de manōlaya. É por isso que neste versículo Bhagavan coloca a ênfase em ‘a mente conhecer a sua própria forma de luz’ tornando-a o sujeito da frase, e relega ‘tendo desistido de viṣayas externos’ a uma posição secundária, tornando-a uma oração subordinada. Ou seja, desistir de experimentar viṣayas externos é uma condição necessária para manōnāśa, mas não uma condição suficiente, enquanto que a mente conhecer a sua própria forma de luz não é apenas uma condição necessária, mas é também uma condição suficiente para manōnāśa. Portanto, o que Bhagavan nos ensina neste versículo extremamente importante - a jóia central de Upadēśa Undiyār - é que para experimentar o verdadeiro auto-conhecimento, que por si só pode destruir a mente, devemos não apenas desistir de experimentar viṣayas externos, mas também experimentar a nossa própria 'forma de luz' — a nossa natureza real, que é a luz absolutamente clara da consciência pura (sem conteúdo). Em diferentes estados de manōlaya pode haver diferentes graus de clareza de auto-consciência, mas porque não é uma clareza completa, não destrói a mente e, portanto, a mente se erguerá novamente. Além disso, como não podemos fazer nenhum esforço nesse estado, não podemos aumentar o grau de clareza até sairmos desse estado. Somente quando a mente saiu de laya ela pode fazer o esforço necessário para focalizar a sua atenção aguda e exclusivamente sobre “a sua própria forma de luz”. É por isso que Bhagavan enfatizou repetidamente que, ao praticar ātma-vicāra, não devemos apenas evitar ser levados por quaisquer pensamentos, mas também evitar cair em qualquer forma de manōlaya, e que o único meio pelo qual podemos permanecer firmemente estabelecidos no nosso estado de auto-permanência ou ātma-niṣṭhā (no qual o nosso poder de atenção permanece firmemente equilibrado no ponto central entre os seus dois estados habituais, de pensamento e laya) é por atenta e vigilante atenção à nossa própria 'forma de luz' — o 'aspecto essencial cit' da nossa mente. O poder de māyā ou auto-engano que nos impede de conhecer a nós mesmos como realmente somos tem duas formas, que são chamadas āvaraṇa śakti (o poder de cobrir, velar, ocultar ou obscurecer) e vikṣēpa śakti (o poder de projeção, dispersão ou dissipação). O primeiro é a falta fundamental de clareza da auto-consciência que forma a escuridão de fundo que permite ao último projetar pensamentos (alguns dos quais parecem existir fora da mente como objetos, estados e eventos do mundo físico), assim como a escuridão no cinema permite que as imagens sejam projetadas na tela. Na vigília e no sonho, ambas as formas de māyā estão a funcionar, enquanto em manōlaya a vikṣēpa śakti deixou de funcionar e apenas a āvaraṇa śakti persiste. Quando desistimos de experimentar viṣayas externos (que incluem todos os pensamentos, tanto aqueles que parecem existir apenas na nossa mente quanto aqueles que parecem existir fora da nossa mente como objetos e eventos do mundo físico), estamos a suspender temporariamente o funcionamento de vikṣēpa śakti, e assim caímos em manōlaya, na qual permanecemos envoltos em āvaraṇa, o véu da auto-ignorância. Portanto, para nos conhecermos como realmente somos, devemos não apenas desistir de experimentar os viṣayas externos, mas também devemos nos esforçar para experimentar a nossa própria 'forma de luz', porque somente experimentando isso seremos capazes de atravessar esse véu fundamental da auto-ignorância (a nossa falta de clareza de auto-consciência) causada por āvaraṇa śakti. Visto que a mente e todas as suas múltiplas criações podem parecer existir apenas sob o véu escuro de āvaraṇa śakti, e visto que este véu só pode ser dissolvido pela experiência da auto-consciência absolutamente clara, a fim de destruir a causa fundamental da aparência ilusória da mente, devemos nos esforçar incansavelmente para experimentar o 'aspecto cit essencial' da nossa mente, desprovido de todos os adjuntos não-conscientes (jaḍa upādhi) que agora sobrepomos a ela. Quando assim experimentarmos o elemento cit essencial da nossa mente sem nenhum dos seus adjuntos jaḍa, rebentaremos o cit-jaḍa-granthi (o nó entre a consciência e o não-consciente), que é muito mais subtil e fundamental do que qualquer átomo físico, e, como Bhagavan costumava dizer (por exemplo, na tarde de 22-11-1945, conforme registado em Day by Day with Bhagavan - Dia a Dia com Bhagavan, edição 2002, pág. 49), a divisão deste átomo mental libertará o poder infinito de jñāna, que instantaneamente e para sempre engolirá a falsa aparência de todo o universo e qualquer outra coisa que possa parecer ser diferente do nosso ser essencial — a nossa pura consciência de ser, 'eu sou'. Este estado, no qual tudo menos 'eu' foi engolido pela clara luz do verdadeiro auto-conhecimento (como mencionado por Sri Bhagavan no versículo 27 de Śrī Aruṇācala Akṣaramaṇamālai e verso 1 de Śrī Aruṇācala Pañcaratnam), é o nosso estado natural de existência-consciência sem ego (sat-cit), que é o estado real denotado pelo termo manōnāśa, 'destruição da mente'.
ॐ Etiquetas: Āṉma-Viddai, Bhagavan Sri Ramana Maharshi, ego, manōnāśa (annihilation of mind), māyā, philosophy of Sri Ramana, practice taught by Sri Ramana, Uḷḷadu Nāṟpadu, Uḷḷadu Nāṟpadu Anubandham, Upadēśa Undiyār |
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quarta-feira, 27 de julho de 2022
Manōnāśa - destruição da mente
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quarta-feira, 24 de julho de 2019
Vivarta Siddhanta - A Doutrina da Aparição Ilusória
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O intenso anseio pela Verdade de muitos aspirantes amadurecidos na Terra naturalmente traz o Supremo na forma de um Sadguru como Sri Ramana.
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ॐ
In: Guru Vachaka Kovai - Grinalda das Palavras do Guru, de Sri Muruganar
Parte Um - Uma Análise da Verdade Vivarta Siddhanta(A Doutrina da Aparição Ilusória)
Sadhu Om:
“Porque vemos o mundo” são as primeiras palavras do versículo um de Ulladu Narpadu [1], o poema de quarenta versículos de Bhagavan sobre a natureza da realidade.
Embora a Sua experiência da Verdade só possa ser adequadamente expressa pela “Doutrina de Ajata”, Bhagavan Sri Ramana usa apenas a “Doutrina de Vivartha” nos Seus Ensinamentos.
Assumindo uma causa e seu efeito, as religiões geralmente ensinam que Deus criou almas individuais e o mundo; algumas ensinam a “Doutrina de Dwaita” [dualidade], que postula que todos esses três [Deus, almas e o mundo] permanecerão eternamente separados; outros ensinam a “Doutrina de Vishishtadwaita” [Não-dualidade qualificada], que postula que embora a dualidade agora predomine, as almas e o mundo irão em algum momento fundir-se em união com Deus; e outros ensinam a “Doutrina de Advaita” [Não-dualidade], que postula que, mesmo agora, embora pareçam estar separados, estes três são na verdade meras aparições e não são nada menos que a única Realidade; e muitas outras doutrinas também são ensinadas por várias religiões.
Os aspirantes podem ser classificados em quatro níveis de maturidade, atrasado [manda], médio [madhyama], maduro [teevra] e completamente maduro [Ati teevra]; aqueles dos dois primeiros graus aceitarão prontamente a “Doutrina de Dwaita” ou “Vishishtadwaita”.
A “Doutrina de Vivartha” é recomendada para explicar o ponto de vista do Advaita, isto é, para explicar como a aparição-do-mundo, o seu vidente, e o conhecimento do vidente sobre a aparição, vêm à existência simultaneamente, não condicionados por causa e efeito. No entanto, uma vez que isso aceita a aparição do mundo, almas e Deus, é apenas uma hipótese de trabalho para ajudar os aspirantes. A “Doutrina de Ajata”, por outro lado, nunca aceita nem mesmo a aparição dessa trindade, mas proclama que a Realidade Una Auto-refulgente existe eternamente e sem modificação; Ajata é, portanto, a mais alta de todas as doutrinas e só é adequada para os aspirantes completamente-amadurecidos.
Uma vez que as mentes dos aspirantes maduros (tivra adhikari) não podem ser satisfeitas com ajata, cuja verdade eles não conseguem entender completamente, nem com outras doutrinas como a dualidade (dvaita), que lhes parecem ser falsas e que, portanto, não podem aceitar, Sri Bhagavan deixa de lado todas as outras doutrinas e ensina apenas vivarta, que é adequada à maturidade da sua mente.
ॐ
[1] Ulladu Narpadu - Versículo 1:
Porque nós vemos o mundo, aceitar um fundamental que tem um poder que se torna muitos é certamente a melhor opção. O filme com nomes e formas, aquele que vê, a tela coesiva e a luz que tudo impregna - tudo isso é ele, que é o nosso próprio ser.
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Por que são necessárias compaixão e 'ahimsa' num sonho?
Oh, Arunachala! Consumido por intensa devoção quando entrei em Ti como meu refúgio, Tu permaneceste imaculada! |
ARUNACHALA AKSHARAMANAMALAI
Grinalda de noivado de poemas para Arunachala - Poema 59
ॐ
Fonte:
Why are compassion and ahiṁsā necessary in a dream?
Michael James
http://happinessofbeing.blogspot.pt/2015/01/why-are-compassion-and-ahimsa-necessary.html
Why are compassion and ahiṁsā necessary in a dream?
Michael James
http://happinessofbeing.blogspot.pt/2015/01/why-are-compassion-and-ahimsa-necessary.html
Domingo, 11 Janeiro 2015
No último vídeo que carregou no You Tube, fala sobre ser vegetariano, e pastelarias, e assinar petições. Estou confuso neste ponto. Muito é dito acerca deste estado de vigília ser exactamente como o nosso estado de sonho, o que importa o que comemos, ou vestimos, ou onde são feitas as nossas roupas? Se em sonho estou a comer um frango, uma cenoura ou o pára-choques dum carro nada disso importa. Ao acordar percebo que é apenas um sonho todo criado pela minha mente. Não há nenhum rapaz a fazer trabalho escravo numa confecção quando acordo certo? Então por que razão o estado de vigília é diferente?
O que se segue é uma adaptação da longa resposta que lhe escrevi, e também de respostas mais curtas que dei aos dois e-mails posteriores:
1. Um sonho parece ser real, enquanto o estamos a experienciar
2. Como responder ao sofrimento visto num sonho?
3. Acordar de um sonho é a única solução para todo o sofrimento que vemos nele
4. A auto-investigação é o único meio pelo qual podemos acordar deste sonho
5. Até acordarmos deste sonho devemos evitar causar dano a outrem
6. Não devemos ser demasiado preocupados com injustiças ou outros assuntos
mundanos
7. Enquanto a nossa mente está voltada para fora devemos preocupar-nos com
o bem-estar dos outros
8. Para manter nosso ego sob controlo devemos ser vigilantes, auto-atentos
9. Quem é responsável pela criação deste mundo?
10. Apenas em absoluto silêncio podemos experienciar o que realmente somos
1. Um sonho parece real enquanto o estamos a experienciar
Você diz: "Se em sonho estou a comer um frango, uma cenoura ou o pára-choques dum carro nada disso importa. Ao acordar percebo que é apenas um sonho todo criado pela minha mente". Sim, nada disso importa depois de acordar, mas enquanto você está a sonhar importa.
Suponha que sonha que está a ser comido por uma galinha. Está deitado impotente, incapaz de se mover, enquanto uma galinha o está bicando ferozmente arrancando a sua carne. Assim como as pessoas apreciam as asas e o peito dum frango quando o estão a comer, esta galinha aprecia a carne dos seus braços e peito, e está a arrancá-la impiedosamente dos seus ossos.Enquanto você estava a ter tal sonho, e a sentir toda a dor e medo que tal experiência implicaria, isso não importaria para si? Não lutaria freneticamente para escapar de uma tal situação?
Ao fim de algum tempo iria acordar e descobrir que era um sonho, e então deixaria de ter importância para si (embora durante algum tempo pudesse permanecer uma lembrança desagradável), mas enquanto estava realmente a experienciar essa dor e medo no seu sonho, isso importava muito para si. A razão por que então importava é que enquanto estamos a vivenciar um sonho ele parece-nos ser real.
No sonho experienciamos um corpo sonhado como sendo nós mesmos, e portanto uma vez que nós somos reais experienciamos esse corpo como se fosse real. E uma vez que esse corpo é uma parte do mundo que então experienciamos, esse mundo também parece ser real. Ou seja, a partir de nós mesmos (que de facto somos a única realidade), estendemos o nosso senso de realidade para qualquer corpo que experienciamos como nós mesmos, e via esse corpo estendemos o nosso senso de realidade para o mundo, do qual esse corpo é uma pequena parte.
Portanto, tudo o que experimentamos num sonho parece-nos real naquele momento, e o mesmo ocorre no estado de vigília. Nós agora experienciamos um corpo como nós mesmos, por isso estendemos o nosso senso de realidade a partir de nós mesmos para este corpo, e através deste corpo para o mundo que nos rodeia. Embora agora possamos suspeitar de que esta vida de vigília é apenas um sonho, e embora portanto possamos duvidar de que o nosso corpo e este mundo são reais, não podemos contudo deixar de os experienciar como reais enquanto estamos neste estado.
2. Como responder ao sofrimento visto num sonho?
Vamos supor que esta vida de vigília é na realidade apenas um sonho (como Sri Ramana nos diz que é). Neste sonho vemos muita gente (ambos humanos e não-humanos), e todas essas pessoas nos parecem ser reais, e portanto as alegrias e os sofrimentos que os vemos experimentar também nos parecem reais. Se um amigo ou parente querido está a sofrer dor intensa com cancro terminal, não vamos tentar consolá-lo dizendo: "és apenas parte do meu sonho, então tu e o teu sofrimento são apenas uma criação da minha mente, e portanto o teu sofrimento não importa". Quando alguém que amamos está a sofrer, nós sofremos ao ver ou até ao pensar no seu sofrimento. Mesmo se nós dizemos a nós mesmos que tudo isto é um sonho, não podemos evitar de sentir dor quando os vemos sofrer.
Portanto, quer este estado de vigília seja real ou apenas um sonho, uma vez que o experimentamos, todas as pessoas que vemos nele nos parecem reais, e portanto o seu sofrimento deve importar-nos. Podem ser criações da nossa mente, mas se são, assim também é a pessoa que nós agora experienciamos como nós mesmos. Se Michael é uma criação da sua mente, assim também é Jim. Michael e qualquer outra pessoa com quem se cruzar são tão reais (ou tão irreais) como Jim.
Se Jim sofrer uma dor quer física quer emocional, certamente que isso lhe importa, desde que experiencie a si mesmo como Jim. Se Jim está com dor intensa, você sente "eu estou com dor intensa", e apesar de o dizer a si mesmo que tudo isso é um sonho o poder ajudar a suportá-la, todavia sente essa dor intensa, e está ansioso por ser aliviado dela. Porque agora experiencia a si mesmo como Jim, ele e tudo o que ele experiencia parece-lhe a si que é real, portanto estendeu o seu senso de realidade a partir de si para Jim e tudo o que ele experiencia. Porque Jim lhe parece ser real, todas as outras pessoas que vê neste mundo também parecem ser reais, portanto, assim como o sofrimento de Jim importa para si, o sofrimento de qualquer outra pessoa (seja humana ou não-humana) deve também importar para si.
3. Acordar de um sonho é a única solução para todo o sofrimento que vemos nele
Claro que, se tudo isso é o seu sonho, a melhor solução para todo o sofrimento que vê neste sonho, é acordar. Mas você ainda não acordou, e a razão de ainda não ter acordado é que ainda está muito ligado ao Jim, por isso não está disposto a abandonar a experiência "Eu sou Jim". Portanto, enquanto está apegado a esta pessoa chamada Jim, este sonho continua até que seja forçosamente terminado pela morte de Jim (após o que ou se recolherá temporariamente no sono em que este sonho ocorreu, ou começará de imediato a sonhar algum outro sonho). Se quiser terminar este sonho mais cedo - e ao mesmo tempo terminar o sono no qual ele e todos os seus outros sonhos ocorrem - deve investigar quem sou eu que agora me experiencio como Jim.
Quando se experiencia a si mesmo como Jim, essa auto-consciência prisioneira-de-adjuntos "Eu sou Jim" é o que é chamado de ego, como Sri Ramana diz no versículo 26 de Uḷḷadu Nāṟpadu:
அகந்தையுண் டாயி னனைத்துமுண் டாகுமகந்தையின் றேலின் றனைத்து — மகந்தையேயாவுமா மாதலால் யாதிதென்று நாடலேயோவுதல் யாவுமென வோர்.
ahandaiyuṇ ḍāyi ṉaṉaittumuṇ ḍāhumahandaiyiṉ ḏṟēliṉ ḏṟaṉaittu — mahandaiyēyāvumā mādalāl yādideṉḏṟu nādalēyōvudal yāvumeṉa vōr.
பதச்சேதம்: அகந்தை உண்டாயின், அனைத்தும் உண்டாகும்; அகந்தை இன்றேல், இன்று அனைத்தும். அகந்தையே யாவும் ஆம். ஆதலால், யாது இது என்று நாடலே ஓவுதல் யாவும் என ஓர்.
Padacchēdam (separação das palavras): ahandai uṇḍāyiṉ, aṉaittum uṇḍāhum; ahandai iṉḏṟēl, iṉḏṟu aṉaittum. ahandai-y-ē yāvum ām. ādalāl, yādu idu eṉḏṟu nādal-ē ōvudal yāvum eṉa ōr.
Se o ego vem à existência, tudo vem à existência; se o ego não existe, tudo não existe. [Por isso] o próprio ego é tudo. Portanto, saiba que apenas investigar o que este [ego] é, é desistir de tudo.
Até investigarmos e descobrirmos o que esse "Eu" é que agora parece estar mascarado como "Eu sou Jim" ou "Eu sou Michael", não podemos desistir de tudo o mais, por isso vamos continuar a ser apegados a tudo que experienciamos como "eu" ou "meu".
Enquanto estamos a experienciar um sonho, apenas dizendo a nós mesmos que é um sonho, não é uma solução para todo o sofrimento que vemos nele. A única solução é acordar, e a única maneira de acordar de tal forma que nunca mais voltamos a sonhar é investigar a nós mesmos, o "eu" que está a experienciar este sonho.
4. A auto-investigação é o único meio pelo qual podemos acordar deste sonho
Até estarmos dispostos a desistir inteiramente do nosso apego à pessoa que agora experienciamos como nós mesmos (o que implica também desistir do nosso apego a tudo o mais que experienciamos como resultado de experienciar 'eu sou esta pessoa'), não seremos capazes de experienciar a nós mesmos como realmente somos, e portanto vamos continuar a sonhar um sonho após outro, e tudo o que experienciamos em qualquer desses sonhos nos parecerá ser real naquele momento. Portanto devemos desistir do nosso apego a qualquer pessoa que experimentamos como "eu", e o único meio eficaz para desistir desse apego fundamental é investigar quem eu realmente sou.
Quanto mais perseverarmos em investigar a nós mesmos - ou seja, tentando experienciar o que este "eu" na verdade é ao prestarmos atenção apenas a nós mesmos - mais claramente vamos experienciar a nós mesmos como algo que é distinto e independente de qualquer dos adjuntos que agora confundimos serem nós mesmos, e assim o nosso apego à pessoa que agora experienciamos como sendo nós mesmos será gradualmente enfraquecido, até que finalmente estaremos dispostos a renunciar a esse apego inteiramente. Só então seremos capazes de experienciar a nós mesmos como realmente somos, imediatamente após o que este sonho será dissolvido juntamente com o sono da auto-ignorância em que ele e todos os outros sonhos ocorreram.
5. Até acordarmos deste sonho devemos evitar causar dano a outrem
Até experienciarmos o que realmente somos e assim acordarmos do sono da auto-ignorância que está subjacente e suporta este e todos os outros sonhos, vamos continuar a experienciar este sonho ou algum outro sonho, e tudo o que experienciarmos em qualquer desses sonhos irá parecer-nos ser real enquanto esse determinado sonho estiver a decorrer. Portanto, embora o nosso principal objectivo deva ser o de experienciar a nós mesmos como realmente somos aqui e agora, até que sejamos capazes de o fazer temos de viver em cada sonho como se fosse real. Por outras palavras, embora devêssemos estar interiormente investigando a nós mesmos tanto quanto podemos, externamente temos que agir neste mundo como se ele fosse real.
Tentar agir neste mundo como se fosse irreal é fútil e sem sentido, porque as nossas acções e a pessoa que sente "Eu estou a fazer estas acções", fazem todas parte deste mundo. Como esta pessoa, nós e as nossas acções são tão reais ou tão irreais como este mundo do qual parecemos agora ser uma parte, então esta pessoa deve agir exteriormente neste mundo como se ele fosse tão real como ela mesma (que é), mas deve interiormente duvidar da realidade de todas estas coisas e deve portanto tentar investigar o "Eu" que parece experienciá-las.
Além disso, mesmo que quiséssemos agir neste mundo como se fosse irreal, na prática não conseguiríamos fazê-lo de forma consistente. Se alguém segurasse a nossa cabeça debaixo de água, não conseguiríamos afastar com calma a sensação de estarmos a sufocar e a afogar-nos como se fosse irreal ou apenas parte de um sonho, mas lutaríamos para levantar a cabeça acima da água para respirar. Da mesma forma, quando estamos a atravessar uma rua e vemos um carro em alta velocidade a vir na nossa direcção, corremos para fora do seu trajecto, e não pensamos apenas: 'Isto é só um sonho, então pode atingir-me, porque mesmo que me magoe, não importa'.
Qualquer que seja a filosofia que possamos professar, na prática há uma série de coisas que são importantes para nós neste mundo: quando estamos com forme, a comida é importante para nós; quando estamos com sede, a água é importante para nós; quando estamos com frio e molhados, um abrigo quente e seco ou pelo menos alguma roupa adequada é importante para nós; se fossemos forçados a trabalhar 18 horas por dia numa confecção exploradora por um salário insuficiente para sustentar a nossa família, seria importante para nós; se fossemos recrutados contra a nossa vontade para lutar como um soldado numa guerra, seria importante para nós; se tivéssemos nascido como um animal de uma fábrica de produção pecuária, mantidos toda a nossa vida numa pequena gaiola para produzir leite ou ovos ou para sermos engordados como carne e finalmente abatidos nas condições brutais de um matadouro moderno, seria importante para nós.
Quanto mais perseverarmos em investigar a nós mesmos - ou seja, tentando experienciar o que este "eu" na verdade é ao prestarmos atenção apenas a nós mesmos - mais claramente vamos experienciar a nós mesmos como algo que é distinto e independente de qualquer dos adjuntos que agora confundimos serem nós mesmos, e assim o nosso apego à pessoa que agora experienciamos como sendo nós mesmos será gradualmente enfraquecido, até que finalmente estaremos dispostos a renunciar a esse apego inteiramente. Só então seremos capazes de experienciar a nós mesmos como realmente somos, imediatamente após o que este sonho será dissolvido juntamente com o sono da auto-ignorância em que ele e todos os outros sonhos ocorreram.
5. Até acordarmos deste sonho devemos evitar causar dano a outrem
Até experienciarmos o que realmente somos e assim acordarmos do sono da auto-ignorância que está subjacente e suporta este e todos os outros sonhos, vamos continuar a experienciar este sonho ou algum outro sonho, e tudo o que experienciarmos em qualquer desses sonhos irá parecer-nos ser real enquanto esse determinado sonho estiver a decorrer. Portanto, embora o nosso principal objectivo deva ser o de experienciar a nós mesmos como realmente somos aqui e agora, até que sejamos capazes de o fazer temos de viver em cada sonho como se fosse real. Por outras palavras, embora devêssemos estar interiormente investigando a nós mesmos tanto quanto podemos, externamente temos que agir neste mundo como se ele fosse real.
Tentar agir neste mundo como se fosse irreal é fútil e sem sentido, porque as nossas acções e a pessoa que sente "Eu estou a fazer estas acções", fazem todas parte deste mundo. Como esta pessoa, nós e as nossas acções são tão reais ou tão irreais como este mundo do qual parecemos agora ser uma parte, então esta pessoa deve agir exteriormente neste mundo como se ele fosse tão real como ela mesma (que é), mas deve interiormente duvidar da realidade de todas estas coisas e deve portanto tentar investigar o "Eu" que parece experienciá-las.
Além disso, mesmo que quiséssemos agir neste mundo como se fosse irreal, na prática não conseguiríamos fazê-lo de forma consistente. Se alguém segurasse a nossa cabeça debaixo de água, não conseguiríamos afastar com calma a sensação de estarmos a sufocar e a afogar-nos como se fosse irreal ou apenas parte de um sonho, mas lutaríamos para levantar a cabeça acima da água para respirar. Da mesma forma, quando estamos a atravessar uma rua e vemos um carro em alta velocidade a vir na nossa direcção, corremos para fora do seu trajecto, e não pensamos apenas: 'Isto é só um sonho, então pode atingir-me, porque mesmo que me magoe, não importa'.
Qualquer que seja a filosofia que possamos professar, na prática há uma série de coisas que são importantes para nós neste mundo: quando estamos com forme, a comida é importante para nós; quando estamos com sede, a água é importante para nós; quando estamos com frio e molhados, um abrigo quente e seco ou pelo menos alguma roupa adequada é importante para nós; se fossemos forçados a trabalhar 18 horas por dia numa confecção exploradora por um salário insuficiente para sustentar a nossa família, seria importante para nós; se fossemos recrutados contra a nossa vontade para lutar como um soldado numa guerra, seria importante para nós; se tivéssemos nascido como um animal de uma fábrica de produção pecuária, mantidos toda a nossa vida numa pequena gaiola para produzir leite ou ovos ou para sermos engordados como carne e finalmente abatidos nas condições brutais de um matadouro moderno, seria importante para nós.
Se as condições que afectam a qualidade, o conforto ou conveniência da nossa vida como pessoa são tão importantes para nós, não deveríamos também estar preocupados com as condições que afectam outras pessoas ou animais? Se não gostamos de sofrer, não deveríamos também pelo menos tentar evitar causar sofrimento a qualquer outro ser senciente?
Se praticarmos a auto-investigação e assim enfraquecermos o apego à pessoa que agora experienciamos como "eu", o nosso senso de distinção entre 'eu' e 'outros' também vai começar a dissolver-se, por isso iremos automaticamente sentir compaixão pelos sofrimentos dos outros, como se nós mesmos estivéssemos experimentando esses sofrimentos, e portanto iremos naturalmente aderir à prática de ahiṁsā (tentar não prejudicar qualquer ser senciente), e iremos fazer tudo o que pudermos para aliviar o sofrimento onde quer que o virmos ou soubermos que existe. Como Sri Ramana diz no final do parágrafo dezanove de Nāṉ Yār? (Quem sou eu?):
பிறருக் கொருவன் கொடுப்ப தெல்லாம் தனக்கே கொடுத்துக்கொள்ளுகிறான். இவ் வுண்மையை யறிந்தால் எவன்தான் கொடா தொழிவான்?
piṟarukku oruvaṉ koḍuppadu ellām taṉakkē koḍuttu-k-koḷḷugiṟāṉ. i-vv-uṇmaiyai y-aṟindāl evaṉ-dāṉ koḍādu oṙivāṉ?
Tudo o que se dá aos outros está-se dando apenas a si mesmo. Se [todos] soubessem esta verdade, quem na verdade permaneceria sem dar?
6. Não devemos ser demasiado preocupados com injustiças ou outros assuntos
mundanos
No entanto também devemos ter em mente o que ele escreveu nas duas frases anteriores:
பிரபஞ்ச விஷயங்களி லதிகமாய் மனத்தை விடக் கூடாது. சாத்தியமானவரையில், அன்னியர் காரியத்திற் பிரவேசிக்கக் கூடாது.
pirapañca viṣayaṅgaḷil adhikam-ay maṉattai kūḍādu Vida-k. sāddhiyamāṉa-varaiyil, aṉṉiyar kāriyattil piravēśikka-k kūḍādu.
Não é apropriado deixar a [sua] mente [alongar-se] excessivamente em assuntos mundanos. Na medida do possível, não é apropriado entrar [ou interferir] nos assuntos de outras pessoas.
Uma vez que o principal objectivo da nossa vida deve ser investigar a nós mesmos, não devemos passar muito tempo preocupando-nos com as numerosas injustiças e sofrimentos que vemos neste mundo, porque se fizermos isso vamos assim ser distraídos para longe da nossa auto-investigação.
Portanto precisamos manter um equilíbrio, entre a nossa responsabilidade interior para tentar experienciar o que realmente somos, e tudo que temos de responsabilidades exteriores para com este mundo do qual experienciamos a nós mesmos como uma pequena parte. Devemos sempre dar prioridade à investigação de nós mesmos, mas enquanto experienciamos a nós mesmos como uma pessoa, vamos sentir que também temos de dedicar algum tempo e atenção a assegurar alimento, roupa e abrigo de que o nosso corpo precisa, e ao fazê-lo devemos tentar evitar causar qualquer dano a qualquer outro ser senciente, e devemos sentir que qualquer que seja o dano que podemos causar aos outros, intencionalmente ou não-intencionalmente, na verdade estamos a causar a nós mesmos.
7. Enquanto a nossa mente está voltada para fora devemos preocupar-nos com o
bem-estar dos outros
Se estivéssemos tão desapegados da nossa vida como uma pessoa, que fossemos capazes de dedicar a maior parte do nosso tempo e atenção para investigar a nós mesmos e só o estritamente necessário para suprir as necessidades básicas do nosso corpo, não devíamos permitir a qualquer outra coisa distrair-nos da nossa auto-investigação. No entanto, se formos honestos com nós mesmos, penso que a maioria de nós terá que admitir que ainda estamos demasiado ligados à nossa vida como uma pessoa, porque o nosso gosto de experienciar outras coisas do que nós mesmos ainda é muito forte, por isso não somos capazes de dedicar todo o nosso tempo livre e atenção à auto-investigação, e portanto gastamos o nosso tempo e atenção não só na auto-investigação e em prover às necessidades mínimas do nosso corpo, mas também em muitos outros pensamentos e actividades desnecessários.
Quando for o caso, devemos ter cuidado para que as nossas actividades externas não causem nenhum dano directa ou indirectamente a qualquer outra pessoa ou animal. Além disso, porque estamos a gastar algum do nosso tempo a prestar atenção ao mundo que nos rodeia, vamos inevitavelmente perceber nele inúmeras injustiças e várias formas de sofrimento, e apesar de podermos fazer muito pouco para rectificar essas injustiças ou aliviar todo esse sofrimento, sempre que podemos fazer pelo menos um pouco, o nosso sentido natural de compaixão vai levar-nos a fazer tudo o que pudermos.
Se fossemos tão insensíveis à compaixão que não só nunca tentássemos corrigir qualquer injustiça nem aliviássemos qualquer sofrimento, mas também não nos importássemos de tentar evitar causar qualquer dano, isso indicaria um ego muito forte - que acredita firmemente na falsa distinção entre 'eu' e 'outros', e que não está disposto a investigar a si mesmo, a base dessa distinção. Apenas um ego forte e não-refinado se preocupa só com o seu próprio bem-estar e permanece indiferente ao bem-estar dos outros.
Quando escrevo tudo isto, não estou a tentar dizer que devemos fazer de fazer do bem neste mundo a nossa maior prioridade. Se queremos acabar com todas as injustiças e sofrimento, precisamos acordar deste sonho, por isso investigar a nós mesmos deve ser a nossa principal prioridade. Mas como ainda estamos tão apegados a sonhar que ainda não estamos dispostos a destruir o nosso ego fundindo-nos de novo com a fonte - o "Eu" puro livre de adjuntos - da qual emergimos, estaríamos a iludir-nos ainda mais se agíssemos como se fôssemos a única pessoa que importa neste mundo, e estaríamos assim a fortalecer o nosso ego.
Portanto precisamos manter um equilíbrio, entre a nossa responsabilidade interior para tentar experienciar o que realmente somos, e tudo que temos de responsabilidades exteriores para com este mundo do qual experienciamos a nós mesmos como uma pequena parte. Devemos sempre dar prioridade à investigação de nós mesmos, mas enquanto experienciamos a nós mesmos como uma pessoa, vamos sentir que também temos de dedicar algum tempo e atenção a assegurar alimento, roupa e abrigo de que o nosso corpo precisa, e ao fazê-lo devemos tentar evitar causar qualquer dano a qualquer outro ser senciente, e devemos sentir que qualquer que seja o dano que podemos causar aos outros, intencionalmente ou não-intencionalmente, na verdade estamos a causar a nós mesmos.
7. Enquanto a nossa mente está voltada para fora devemos preocupar-nos com o
bem-estar dos outros
Se estivéssemos tão desapegados da nossa vida como uma pessoa, que fossemos capazes de dedicar a maior parte do nosso tempo e atenção para investigar a nós mesmos e só o estritamente necessário para suprir as necessidades básicas do nosso corpo, não devíamos permitir a qualquer outra coisa distrair-nos da nossa auto-investigação. No entanto, se formos honestos com nós mesmos, penso que a maioria de nós terá que admitir que ainda estamos demasiado ligados à nossa vida como uma pessoa, porque o nosso gosto de experienciar outras coisas do que nós mesmos ainda é muito forte, por isso não somos capazes de dedicar todo o nosso tempo livre e atenção à auto-investigação, e portanto gastamos o nosso tempo e atenção não só na auto-investigação e em prover às necessidades mínimas do nosso corpo, mas também em muitos outros pensamentos e actividades desnecessários.
Quando for o caso, devemos ter cuidado para que as nossas actividades externas não causem nenhum dano directa ou indirectamente a qualquer outra pessoa ou animal. Além disso, porque estamos a gastar algum do nosso tempo a prestar atenção ao mundo que nos rodeia, vamos inevitavelmente perceber nele inúmeras injustiças e várias formas de sofrimento, e apesar de podermos fazer muito pouco para rectificar essas injustiças ou aliviar todo esse sofrimento, sempre que podemos fazer pelo menos um pouco, o nosso sentido natural de compaixão vai levar-nos a fazer tudo o que pudermos.
Se fossemos tão insensíveis à compaixão que não só nunca tentássemos corrigir qualquer injustiça nem aliviássemos qualquer sofrimento, mas também não nos importássemos de tentar evitar causar qualquer dano, isso indicaria um ego muito forte - que acredita firmemente na falsa distinção entre 'eu' e 'outros', e que não está disposto a investigar a si mesmo, a base dessa distinção. Apenas um ego forte e não-refinado se preocupa só com o seu próprio bem-estar e permanece indiferente ao bem-estar dos outros.
Quando escrevo tudo isto, não estou a tentar dizer que devemos fazer de fazer do bem neste mundo a nossa maior prioridade. Se queremos acabar com todas as injustiças e sofrimento, precisamos acordar deste sonho, por isso investigar a nós mesmos deve ser a nossa principal prioridade. Mas como ainda estamos tão apegados a sonhar que ainda não estamos dispostos a destruir o nosso ego fundindo-nos de novo com a fonte - o "Eu" puro livre de adjuntos - da qual emergimos, estaríamos a iludir-nos ainda mais se agíssemos como se fôssemos a única pessoa que importa neste mundo, e estaríamos assim a fortalecer o nosso ego.
Na medida em que nos preocupamos com os outros, nessa medida pelo menos o nosso ego é diminuído. No entanto, preocupar-nos com os outros obviamente não é um meio suficiente para destruir o nosso ego completamente, porque preocupar-nos com os outros pressupõe a sua existência, e enquanto outros parecem existir o nosso ego deve existir também para experienciar a sua aparente existência. A fim de destruir a ilusão de que há outros separados de nós, precisamos investigar a nós mesmos para descobrir se realmente somos esta pequena pessoa que agora parecemos ser.
Mas até destruirmos dessa forma o nosso ego, a ilusão de que outros existem permanecerá, e esses outros parecerão ser tão reais quanto a pessoa que agora experienciamos como "eu". Por isso as suas alegrias e sofrimentos parecerão ser tão reais quanto as nossas, e portanto devemos importar-nos tanto com eles pelo menos tanto como nos importamos com o nosso eu pessoal, e podemos ser justificadamente indiferentes às suas alegrias e sofrimentos só na medida em que somos genuinamente indiferentes às nossas.
8. Para manter o nosso ego sob controlo devemos ser vigilantes, auto-atentos
No seu e-mail expressa a sua preocupação de que cuidar do sofrimento dos outros neste sonho chamado 'estado de vigília' vai criar um 'ego mais espiritualizado' e tornar este sonho e o fazedor individual parecer mais real:
Esta maneira de ver o estado de vigília não cria subtilmente um ego mais espiritualizado? Eu sou melhor do que tu. Eu não como carne. Eu assino petições por água e ar limpos. Eu luto contra o trabalho infantil. Não estamos nessa altura a tornar o fazedor individual mais real?
O que quer que podemos fazer ou não fazer neste sonho, temos sempre que ser vigilantes sobre o crescimento subtil do ego, porque a natureza do nosso ego é iludir-nos, e usa inúmeros truques para o fazer. Portanto, o perigo de que fala é muito real, e a única salvaguarda que temos contra ele é perseverar na investigação de nós mesmos tanto quanto possível.
Se a única pessoa com quem nos preocupamos é nós mesmos, isso é certamente egoísta, mas mesmo se cuidarmos dos outros, o nosso ego pode tomar isso como um pretexto para aumentar o seu próprio orgulho ou ser moralista. Na verdade, sempre que atendemos a qualquer outra coisa que não o nosso ser essencial, o nosso ego vai encontrar uma maneira ou outra de se alimentar e sustentar. Por isso, a única solução para este problema de ego é a prática persistente da auto-investigação: isto é, ser auto-atento de forma constante e vigilante.
Esta prática simples da auto-atenção por si só resolverá todos os problemas (e também todos os problemas deste mundo, que parece existir e ser real apenas enquanto o estamos a experienciar), então além de tudo o mais que podemos fazer neste sonho a que chamamos vida, devemos ter cuidado para não negligenciar esta prática. Mesmo enquanto realizamos outras actividades, devemos tentar lembrar-nos de ser atentamente conscientes do "Eu" ( nosso ser essencial), e no meio de todas as actividades, devemos reservar algum tempo para tentar ir fundo na experiência de pura auto-consciência - a consciência de nada mais do que apenas nós mesmos.
O nosso ego vem à existência e é sustentado apenas por pramāda ou auto-negligência, por isso vai diminuir e ser mantido sob controlo apenas na medida em que formos auto-atentos. Qualquer acção que praticamos implica atender a algo diferente de nós mesmos, e na medida em que estamos a atender a qualquer outra coisa, não estamos a atender a nós mesmos. Portanto, todas as acções que fazemos pela mente, fala ou corpo tendem a sustentar e nutrir o nosso ego, e só a auto-atenção pode enfraquecê-lo e fazê-lo desaparecer em nós mesmos, a fonte da qual se originou.
Como Sri Ramana diz no versículo 25 de Uḷḷadu Nāṟpadu:
உருப்பற்றி யுண்டா முருப்பற்றி நிற்குமுருப்பற்றி யுண்டுமிக வோங்கு — முருவிட்டுருப்பற்றுந் தேடினா லோட்டம் பிடிக்குமுருவற்ற பேயகந்தை யோர்.
uruppaṯṟi yuṇḍā muruppaṯṟi niṟkumuruppaṯṟi yuṇḍumiha vōṅgu — muruviṭṭuruppaṯṟun tēḍiṉā lōṭṭam piḍikkumuruvaṯṟa pēyahandai yōr.
பதச்சேதம்: உரு பற்றி உண்டாம்; உரு பற்றி நிற்கும்; உரு பற்றி உண்டு மிக ஓங்கும்; உரு விட்டு, உரு பற்றும்; தேடினால் ஓட்டம் பிடிக்கும், உரு அற்ற பேய் அகந்தை. ஓர்.
Padacchēdam (separação das palavras): uru paṯṟi uṇḍām; uru paṯṟi niṯkum; uru paṯṟi uṇḍu miha ōṅgum; uru viṭṭu, uru paṯṟum; tēḍiṉāl ōṭṭam piḍikkum, uru aṯṟa pēy ahandai. ōr.
அன்வயம்: உரு அற்ற பேய் அகந்தை உரு பற்றி உண்டாம்; உரு பற்றி நிற்கும்; உரு பற்றி உண்டு மிக ஓங்கும்; உரு விட்டு, உரு பற்றும்; தேடினால் ஓட்டம் பிடிக்கும். ஓர்.
Anvayam (palavras rearranjadas na ordem de prosa natural): uru aṯṟa pēy ahandai uru paṯṟi uṇḍām; uru paṯṟi niṯkum; uru paṯṟi uṇḍu miha ōṅgum; uru viṭṭu, uru paṯṟum; tēḍiṉāl ōṭṭam piḍikkum. ōr.
Tradução: Tomando forma, o ego-fantasma surge; tomando forma permanece [ou perdura]; agarrando-se e alimentando-se da forma cresce [ou prospera] abundantemente; deixando [uma] forma, toma [outra] forma. Se procurado [examinado ou investigado], desaparece. Investigue [ou saiba assim].
Aqui உரு பற்றி (uru patri) ou ‘tomando forma’ significa atender a, ou experimentar algo diferente de nós mesmos, porque nós mesmos somos sem forma, uma vez que neste contexto uma 'forma' é tudo o que tem quaisquer características que o distinguem de algum modo, quer de nós mesmos ou de outras coisas. Portanto, o que Sri Ramana quer significar neste versículo é que nós surgimos ou vimos à existência como um ego só por atendermos a qualquer coisa que não a nós mesmos e que ao continuar a atender a outras coisas nós sustentamos e alimentamos a ilusão de que somos este ego, mas que se em vez disso tentamos atender apenas a nós mesmos, essa ilusão 'vai tomar voo' - ou seja, o nosso ego vai diminuir e desaparecer em nós mesmos, a fonte de onde tinha surgido.
Uma vez que nós mesmos somos sem forma, não podemos continuar a experienciar a nós mesmos como este ego se atendermos e assim experienciarmos apenas a nós mesmos. E por outro lado não podemos deixar de experienciar a nós mesmos como este ego enquanto persistirmos em atender e experienciar algo que não nós mesmos. Portanto a auto-negligência sustenta o nosso ego, e só a auto-atenção o pode subjugar e destruir. Assim o único meio pelo qual podemos efectivamente manter o nosso ego sob controlo e impedi-lo de nos iludir é ser auto-atento de forma constante e vigilante.
9. Quem é responsável pela criação deste mundo?
Em resposta ao e-mail que adaptei nas oito secções anteriores o meu amigo escreveu:
Há um ponto confuso ao qual estou sempre a regressar. Se tudo em última análise é um, e Brahma, o sonho não é Brahma também? E se o sonho também é Brahma não está tudo a desenrolar-se perfeitamente como Brahma quer que se desenrole?
A isto respondi:
Brahman não é outra coisa senão nós mesmos. É apenas um nome dado ao que realmente somos. Então se você diz que tudo se desenrola como brahman quer que se desenrole, isso significa que tudo se desenrola como você quer que se desenrole. Mas tudo isto é o que você realmente quer? Se é, então não há problema, e portanto não há necessidade de investigar quem sou eu.
Mas se vê algum problema seja neste mundo ou em si mesmo, então isto não é o que você realmente quer, então tem que corrigir a decisão errada que teve para criar tudo isto. Tudo isto veio à existência por sua decisão ou escolha, por isso a fim de rectificar a sua escolha precisa primeiro de saber exactamente o que é este "eu" em si que fez esta escolha. Agora aparenta ser o Jim, mas o Jim é uma parte da criação, então não pode ser o criador. Portanto se você é o criador, você não é o Jim, então quem é você?
Por isso, tudo volta ao mesmo ponto: o que cada um de nós precisa antes de tudo é saber quem realmente somos. Se primeiro investigarmos a nós mesmos e assim experienciarmos o que realmente somos, podemos então ver se qualquer criador, criação, mundo ou problemas ainda existem, e somente se existirem vamos então precisar de fazer alguma coisa sobre eles.
10. Apenas em absoluto silêncio podemos experienciar quem realmente somos
Quando perguntei a Jim na minha resposta anterior, "Portanto se você é o criador, você não é o Jim, então quem é você?", ele respondeu-me dizendo entre outras coisas que ele é 'Satchitananda', 'a consciência que tudo permeia, livre da acção, sem apego, sem desejo, sem limite e imperturbável ', mas acrescentou:
Estou a tentar dizer-lhe o impossível. O que sou eu. O que você é. O que só existe. Além da mente do corpo. Além de Brahman, a consciência Crística, e todas as outras etiquetas e conceitos que apontam para o indizível, a presença incognoscível que somos. O que sou eu?? O que sou eu? Sei que não sou este saco de carne e ossos carente, imperfeito, inseguro, defeituoso que parece sofrer e a quem chamamos Jim.
Ao que eu respondi:
Quando perguntei 'você não é o Jim, então quem é você?' não era uma pergunta para a qual esperava uma resposta em palavras, porque não há palavras ou ideias para poder responder a ela. A resposta só pode ser encontrada dentro de nós mesmos, por perder a nós mesmos em nós mesmos (ou seja, por perder o nosso ego naquilo que realmente somos).
Sat-cit-ānanda (ser - consciência - bem-aventurança), a consciência que permeia tudo e tudo aquilo que você diz que é são tudo ideias apenas - ideias que Jim tem acerca do que ele realmente é - assim como pode qualquer uma delas ser o que você realmente é. O que você realmente é não pode ser adequadamente expresso por quaisquer ideias ou palavras, quer expressas afirmativamente (eu sou isso) ou negativamente (eu não sou isto), mas só pode ser experienciado por si apenas na profundeza do silêncio absoluto.
A fim de experienciar a nós mesmos como realmente somos, devemos cada um de nós retirar a nossa atenção de tudo o mais (que é tudo mero ruído criado pela nossa mente), levando-a de volta para nós mesmos apenas e assim permitir-lhe que mergulhe profundamente em nós mesmos, a sua fonte (que por si só é silêncio absoluto). Por outras palavras, saber quem você é, Jim e todas as suas ideias (incluindo a sua ideia de que Jim é apenas um fantasma) deve findar, e só o "eu" sempre silencioso e perfeitamente consciente de si mesmo deve permanecer.
ॐ
Tradução: Blog Texto Meditativo
Etiquetas:
"Quem sou eu?",
A Felicidade e a Arte de Ser - Michael James,
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Bhagavan Sri Ramana Maharshi,
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Sonho,
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