segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sri Ramanasramam - Agenda 2015 - Maio





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Aqueles que entraram no caminho puro da Auto-investigação - jnana-vichara - "Quem sou eu?", nunca se confundem nem perdem o rumo. A razão é que esse caminho é recto e directo, como a luz do sol. Ele lhes irá revelar a sua própria singularidade e incontestável clareza.

Guruvachaka Kovai, 393
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar


Sri Muruganar:  Ao contrário de karma, bhakti, yoga, etc., que, criticamente analisados, têm que ceder aos outros caminhos, mudando o seu curso e inflectindo um pouco, a Auto-investigação [investigação do Ser] nunca tem de ceder e mudar o seu curso, por causa da singularidade do Ser.
Portanto, Sri Bhagavan chama ao caminho da Auto-investigação o caminho puro e o caminho directo. 
Além disso, como se tem que ter pelo menos um pouco de Auto-atenção [atenção ao Ser] a fim de alcançar o Objectivo final, mesmo que se possa ter avançado através de alguns outros caminhos, este caminho é chamado por Sri Bhagavan de o caminho supremo. 
Uma vez que este caminho é comparado ao Sol, devemos considerar o Ser como sendo o Sol, e a Auto-investigação como sendo o seu raio.






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Se, em vez de prender a atenção no Coração, fechando os buracos [os sentidos através dos quais a atenção se apressa a fugir], você quebrar a barreira [se não seguir as instruções dos Sábios para o controlo da mente], isto é semelhante ao erro desastroso de arruinar uma vasta área de campos de cultivo por rebentar os diques construídos num lago e soltar toda a sua água.

Guruvachaka Kovai, 686
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar






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Para aqueles que sinceramente embarcaram no cumprimento do seu dever, [que é a permanência no Ser], escorregar do estado de Ser que possui a excelência da não-dualidade é em si mesmo uma falta grave. Sendo assim, ao reflectir sobre isto, pode a ingerência nos assuntos alheios ser coerente [com esse dever]?

Guruvachaka Kovai, 786
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar


Sadhu Om:   
No versículo 266 do Tirukkural, Tiruvalluvar diz, "Só aqueles que fazem Tapas são aqueles que fazem seus deveres". Portanto, o principal dever ou dharma de um aspirante é fazer o verdadeiro Tapas de prestar atenção e permanecer no Ser. Por isso, abrandamento na Auto-atenção é um deslizamento de um dever ou dharma; em outras palavras, prestar atenção a outras coisas é o pecado de adharma. 
Sendo assim, quanto mais pecado não será se um aspirante interfere nos assuntos dos outros?







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A conduta de um Discípulo


Por tudo isso, o dever de um discípulo é de, mesmo em sonhos, seguir
firmemente e respeitar o digno ensinamento da Sua experiência imortal
dado pelo Guru, que brilha com a mais alta qualidade divina, a de
Graça incausada [avyaja Karuna]. (798)



Sadhu Om: 
A expressão 'por tudo isso' que inicia este versículo, faz alusão ao mesmo ‘por tudo isso’ que é utilizado na seguinte passagem de 'Quem sou eu?': "Assim como a presa que caiu nas garras de um tigre não pode escapar, assim também aqueles que se tornaram alvo do olhar da Graça do Guru serão certamente salvos e nunca estarão desamparados; Por tudo isso, deve-se seguir sem falhar o caminho mostrado pelo Guru".
Ver o Versículo 284.



Se acontecer que mesmo os melhores, que abraçaram firmemente os meios para se redimirem das misérias do samsara, se desviem do comportamento prescrito pelos Vedas, seja devido a esquecimento ou qualquer outro motivo [tais como pobreza ou doença], eles não devem em nenhum caso transgredir as instruções do Guru que lhes falou sobre a verdade suprema. (799)


Sadhu Om:


Embora os Vedas tenham sido dados pelo Próprio Deus para o bem daqueles que têm seguido os Vedas ao longo de muitas vidas e que deste modo atingiram a maturidade de espírito, Ele finalmente toma a forma do Guru pela Sua Graça e ensina o caminho da investigação-do-Ser, Auto-investigação, para que possam alcançar a união não-dual com Ele e, assim, desfrutar d’ Ele, a suprema bem-aventurança.
Quando Deus vem, assim, na forma do Guru, as Suas palavras devem ser tomadas pelo discípulo como mais importantes e sagradas do que as palavras dos Vedas, porque as palavras do Guru são instruções dadas a ele de acordo com o seu estado de maturidade, enquanto que as palavras dos Vedas foram as instruções dadas a ele para se adequarem ao seu então estado de imaturidade.
Assim, neste versículo está implícito que, se algumas das regras dos Vedas representarem obstáculos à Auto-investigação, até mesmo as palavras dos Vedas devem ser abandonadas.




As palavras dos sábios dizem que se alguém faz mal [apacharam] a Deus, isso pode ser corrigido através da Graça do Guru, mas um apacharam feito ao Guru não pode ser corrigido nem mesmo por Deus. (800)


Sri Muruganar:

As palavras "códigos Védicos" [veda-neri] significam as observâncias [acharas] e assim por diante prescritas nos Vedas.

Àqueles que se desviam das palavras do Guru, é dito que mesmo que alguém se desvie dos códigos Védicos nunca deve desobedecer às palavras do Guru. Assim, salienta-se que a devoção ao Guru é superior à devoção a Deus.

Quando o verso 801 foi mostrado a Sri Bhagavan, Ele compôs um verso Seu transmitindo o mesmo significado. Este verso de Sri Bhagavan é transcrito abaixo como versículo B14, e também está incluído em Ulladu Narpadu Anubandham como o versículo 39. Uma vez que o significado desses dois versículos, que são traduções do versículo 87 do trabalho de Sri Adi Sankara Tattvopadesa, é o mesmo, apenas uma tradução do versículo B14 é dada aqui.




Oh filho, que sempre tenha [a experiência da] não-dualidade [advaita] no Coração, mas que nunca expresse não-dualidade na acção. Não-dualidade pode ser aplicada em relação aos três mundos, mas saiba que não-dualidade nunca deve ser aplicada em relação ao Guru. (B14)

Michael James:

Os três mundos são Brahma Loka, Vishnu Loka e Siva Loka, e aplicar não-dualidade em relação aos três mundos significa ter uma atitude mental “Eu não sou diferente de Brahma, de Vishnu ou de Siva”. No entanto, enquanto o nosso ego ou individualidade sobrevive, não se deve ter a atitude “Eu não sou diferente do Guru”, uma vez que tal atitude seria um mero acto de imaginação e faria o nosso ego aumentar ainda mais.
Assim, este versículo sublinha a mesma ideia do versículo 800, ou seja, apesar do mal que se possa fazer a Deus, não se deve fazer nenhum mal ao Guru, porque o Guru deve ser considerado ainda mais sagrado até do que Deus.


Guruvachaka Kovai, 798-799-800-B14
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar







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Assim como por [o alimentar com] manteiga, um fogo irá resplandecer e não vai ser extinto, assim também por satisfazer desejos, o fogo do desejo nunca vai diminuir.


Guruvachaka Kovai, 592
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar



A palavra em Tamil é 'kama', que denota desejo em geral e luxúria em particular.

Em forma de poema:

Não extinta, e com furor ardente
A chama, com manteiga se fortalece;
O fogo do desejo nunca desaparece
Quanto mais e mais se contente.






 Arunachala - Deepam-O grande carro do Senhor Arunachala


Para o grande carro do templo percorrer as ruas e chegar com segurança ao seu destino, são indispensáveis não só os fortes sustentáculos que mantêm as rodas presas ao eixo, mas também os blocos de protecção que regulam os seus movimentos e as impedem de ficarem sem controlo e de se precipitarem para as bermas das ruas.


Guruvachaka Kovai, 620
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar




Sri Muruganar e Sadhu Om: 
Em todo este verso, apenas um exemplo [upamana] é dado e o 'exemplificado' [Upameya] é deixado para o leitor inferir. Deveria ser entendido como: 
"Da mesma forma, para um aspirante concluir com êxito o seu Tapas  ou sadhana (caminho espiritual), é indispensável não só um carácter e um modo de vida imaculado, mas também os obstáculos que vêm através de prarabdha*. Assim, um aspirante deve aceitar os obstáculos pacientemente, vendo-os como sendo devidos à Graça”. 
Por exemplo, as palavras duras: "Para que serve tudo isto a alguém que é assim?", proferidas pelo irmão mais velho do jovem Venkataraman, quando pacientemente aceites, trouxeram ao mundo um grande Bhagavan Sri Ramana Maharshi. 
Não só por palavras como estas não intencionais, mas mesmo pelos problemas intencionais causados ​​por pessoas más, resultará um grande bem na vida de um aspirante.


* Prarabdha: Karma começado, também chamado "maduro" ou "activo"; aquele cujos efeitos inevitáveis se manifestam durante a vida presente na nossa própria natureza, isto é, aqueles que constituem o nosso carácter, e as múltiplas circunstâncias que nos rodeiam. 







O fruto de [o Guru] permitir um fracasso nos esforços de um sadhaka* é fazer com que ele compreenda que somente pela Graça do Guru e não apenas pelo próprio esforço é possível ser obtido Siddhi [a realização do auto-conhecimento], e [assim] o preparar para buscar a Graça do Guru.

Guruvachaka Kovai, 794
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar


* Sadhaka: Praticante de uma caminho espiritual (Sadhana)

Sadhu Om: 
A aniquilação do ego é o objectivo de todas as sadhanas espirituais. Mas se parecer que existe sucesso nos esforços de um aspirante, não irá haver oportunidade para que o ego irrompa de novo crescendo com mais força, pelo menos na forma "Eu tenho feito muito tapas e consegui" ? 
Portanto, a fim de impedir que tal coisa aconteça, mesmo nos esforços mais sinceros de um aspirante, os fracassos são muitas vezes provocados pela Graça do Guru. 







Deixe o que acontece acontecer na forma como acontece [isto é, como está destinado por Deus a acontecer]. Não entretenha o menor pensamento de ir contra. Sem embarcar em qualquer novo empreendimento, torne-se um com o vidente que vê o olho, aquele que permanece pacificamente imerso no Coração..

Guruvachaka Kovai, 793
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar




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Maior do que a quietude não há realização; maior do que a quietude não há  nenhum esforço; maior do que a quietude não há Tapas; maior do que a [vida em] quietude não existe vida imortal.


Guruvachaka Kovai, 796
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar



  
Sri Muruganar: 
O que aqui é chamado de quietude é o estado de Silêncio da mente. Isto pode ser conseguido apenas por incessante inquirição [vichara]. Quando a mente sabe que na verdade não há nada para rejeitar ou aceitar, ela vai perder os seus movimentos [chalana] e vai permanecer na paz suprema [parama-Santi]. Uma vez que essa paz é a semente do estado natural [sahaja], é dito aqui que é a "vida imortal" [amara vazhvu].





A agitação é o inimigo que dá problemas; agitação conduz à prática de pecados hediondos; agitação é embriaguez; agitação da mente é profundo e escuro poço.

Guruvachaka Kovai, 797

Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar



Sri Muruganar:
Uma vez que o movimento rápido de pensamentos muito subtis é em si mesmo sofrimento, essa agitação é descrita aqui como embriaguez e como um inimigo hediondo.
Uma vez que todos os inimigos internos, tais como desejo, raiva e orgulho não são nada mais do que os movimentos subtis dos pensamentos, aquele que destruiu esse movimento, a partir desse momento, será desprovido de todos os tipos de inimigos, pecados hediondos, sofrimentos e do poço de ignorância.




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Fazer o bem aos outros




Aquele que engana os outros é seu próprio inimigo e está fazendo mal a si mesmo. (806)

  
Tudo o que se dá aos outros, se está dando apenas a si mesmo. Se esta verdade é compreendida, quem irá abster-se de dar aos outros? (807) 


Sadhu Om: 
A idéia expressa neste versículo pode ser encontrado em forma de prosa em “Quem sou eu?”


 

Uma vez que todos são o nosso próprio Ser, quem faz o que quer que seja [bem ou mal] a quem quer que seja, só o está a fazer a si mesmo. [Portanto, só se deve fazer o bem aos outros]. (808)


 



Ao dar esmolas a Sridhara [Senhor Vishnu], Mahabali tornou-se grande, embora tenha sido reprimido e enviado para Patala Loka [aos Pés do Senhor]. Portanto, "Embora
seja apenas uma desventura que se abate sobre alguém, por dar, o dar é digno, mesmo à custa de vender a si mesmo". (809) 



Guruvachaka Kovai, 806-807-808-809

Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar








Aquele que está sempre alegre, pronunciando palavras de conforto [abhaya] a todas as criaturas e se comportando de tal forma que nenhuma vai ter medo dele, não teme nem mesmo Yama [o Deus da morte], uma vez que se encontra estabelecido no estado de igualdade, sendo o espelho do Ser.


Guruvachaka Kovai, 810

Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar



Sadhu Om:
Já que todos têm grande apego ao seu corpo como "eu" e uma vez que a morte os separa do seu corpo, todos temem a morte. Mas uma vez que um Jnani tem a experiência de estar separado do corpo, mesmo enquanto Ele está a viver no corpo, só Ele pode não ter nenhum medo da morte e, portanto, pode dar abhaya ou refúgio a qualquer um.



Tradução: Blog 'Texto Meditativo'

Consulta:





quinta-feira, 30 de abril de 2015

Guru Vachaka Kovai - Grinalda de Palavras do Guru (4)







Ao adorar a Deus, em primeiro lugar para a realização de um desejo, só está a adorar esse desejo. Numa mente que quer atingir o estado de Shiva - o estado de unidade com Deus, a extinção total de qualquer pensamento de uma recompensa é absolutamente indispensável. 

Guruvachaka Kovai, 683
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar







Desista de todo o apego aos insignificantes objectos dos sentidos [vishayas], que são causados pela ilusão 'Eu sou este corpo físicol". A mente silenciosa [assim aquietada pela renúncia aos objectos dos sentidos] é o puro mani-lingam [forma superior de Sivalingam]. Se isto é adorado [isto é, se este silêncio mental é cuidadosamente preservado com grande amor, sendo esta a verdadeira forma de adoração], vai conceder felicidade sem fim.

  

Para a adoração de Deus Cujo brilho nunca se desvanece, as estrelas que presidem em cada dia são auspiciosas, e os planetas que presidem em cada dia são benéficos. As conjunções planetárias em cada dia são profundamente auspiciosas. Todos os dias, todos os planetas, todos os iogas e todos os orais são dias auspiciosos, planetas auspiciosos, iogas auspiciosos e orais auspiciosos para um aspirante fazer esta upasana [prática espiritual].


Guruvachaka Kovai, 517-518
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar






Michael James: Yogas e orais são partes específicas do tempo num dia, calculadas em astrologia.

Sri Muruganar: Uma vez que os dias, planetas, iogas e orais estão dentro da concepção da mente, alguns deles podem não ser auspiciosos, mas apenas para as actividades mundanas. Nenhum deles pode fazer qualquer dano a um aspirante que quer praticar a Auto-Atenção [atma-dhyana], que é a verdadeira adoração de Deus, porque diz respeito ao Ser, que está além da mente. Os dez versos cantados por Sri Jnanasambandhar, a fim de vencer os efeitos dos planetas, e também alguns outros cânticos de santos Tamil nos asseguram que nenhum desses factores de tempo podem criar qualquer obstáculo a um devoto que está sob o poder da graça de Deus.






É muito raro alguém ter plena fé no Um [Deus ou Guru].
Se tal fé florescer no coração [devido a méritos passados], deve-se proteger e nutrir essa fé, uma vez que é semelhante a um bebé recém-nascido, sem a estragar dando espaço a qualquer dúvida ou suspeita, da mesma forma como, se uma pessoa possuísse Kamadhenu, a trataria com muito cuidado e amor. 

Guruvachaka Kovai, 519
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar



Kamadhenu é uma vaca sagrada [do deus Indra, na Mitologia Hindu] capaz de realizar qualquer desejo. 
Da mesma forma, a fé completa em Deus ou Guru vai conferir tudo e qualquer coisa ao devoto. Tal é o maravilhoso poder da fé.






Em contraste directo com revelar a verdade, as palavras só a obscurecem, tornando-a nublada. Portanto, refreie simultaneamente palavra e pensamento no Coração a fim de que a realidade suprema, que está escondida por estas palavras, possa brilhar espontaneamente. 

Guruvachaka Kovai, 525
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar


Sri Muruganar: "Nós", o "Ser", o "Eu", apenas, são reais. Até mesmo os pensamentos [mente] e a fala, que é apenas uma forma grosseira dos pensamentos, são estranhas a nós, e, portanto, irreais. Assim, a prática da Auto-Atenção, que vai diminuir os pensamentos e a fala, é o empreendimento que vale a pena. 




Bhagavan e Ganapathi Muni


Se [a verdade é] dita,
o conhecedor da realidade [mey-jnani] é diferente, e o erudito [vijnana] que conhece as escrituras [que falam] acerca do verdadeiro conhecimento [mey-jnana] é diferente.
Para aqueles que desejam cortar o cativeiro da ignorância [ajnana], é necessário deixar os estudiosos académicos e associar-se com aqueles que permanecem como o Ser supremo [atma-para-nishthar].
(1158)


Sri Muruganar: Ele [Sri Bhagavan] diz isto porque o conhecimento experiencial [anubhava-jnana] não pode ser alcançado a menos que uma pessoa se associe com aqueles que permanecem como o Ser. O benefício que pode ser alcançado meramente por vijnana [conhecimento bíblico] não é senão o louvor e adoração do mundo. 






Saiba que as palavras [de upadesa] proferidas por um Jnani, que conhece a realidade que suporta tudo pelo poder da [sua] Graça, sempre serão um suporte de salvação para as almas que se têm mantido por longo tempo iludidas sob a influência das trevas [mas que desejam ser salvas]. (1159)
Sadhu Om: A razão pela qual é dito no versículo 1158 que uma pessoa deve deixar os estudiosos académicos e associar-se com aqueles que permanecem como o Ser supremo é explicado neste versículo. Mais do que em todas as palestras e explicações dadas por estudiosos das escrituras, numa única palavra pronunciada por um Jnani, [embora Ele possa ser inculto] que conheceu a realidade suprema, há mais poder de autoridade [o poder da luz do Ser] para dissipar a escuridão da ignorância [ajnana] nos outros jivas. Por isso, é instruído aqui que devemos aproximar-nos com amor de um Jnani  em vez dos estudiosos das escrituras.


Guruvachaka Kovai, 1158-1159
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar


Bhagavan e devotos







O Guru-jnana parece ser um ser humano comum, mas na verdade ele permanece como o espaço transcendental [de consciência]. Aqueles cujas mentes não o reconhecem como a realidade sem-forma são os principais entre aqueles que são pecadores, e cuja conduta é má

Guruvachaka Kovai, 274
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar








Nirvana Shatakam por Adi Shankaracharya
A Canção do Ser


Você que, com grande entusiasmo e na expectativa de ver milagres, voa para ver um Mahatma aqui e outro Mahatma acolá! Se você inquirir, alcançar e conhecer o Maha-Atma [isto é, o Grande-Ser] que habita dentro de seu próprio coração, então cada Mahatma não é senão esse Ser [dentro de si].


Guruvachaka Kovai, 121
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar







Assim como um veado apanhado nas garras de um tigre [não pode escapar], assim também aqueles que são capturados pelo olhar da Graça do Sadguru nunca serão abandonados, e, tendo completamente destruído o seu ego e as vasanas, eles vão perceber a Verdade não-dual.

Guruvachaka Kovai, 284
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar 






A vasana é um efeito de um samskara. As vasanas são inclinações, predisposições, tendências da mente, formadas na vida actual, a partir das impressões [samskaras], experiências de vidas passadas.

Michael James: Vale a pena ponderar cuidadosamente sobre esta comparação bem conhecida, que foi usada pela primeira vez por Sri Bhagavan em 'Quem sou eu?'. Um veado apanhado nas garras de um tigre, em geral, é objecto de pena, uma vez que irá certamente ser morto, mas Sri Bhagavan usa esta comparação para consolar os devotos e para lhes assegurar que eles nunca podem escapar do Sadguru, e certamente irão ser salvos por Ele. O significado desta comparação torna-se ligeiramente mais claro neste versículo do que em 'Quem sou?', uma vez que aqui é dito que o Sadguru vai destruir completamente o ego e as vasanas dos Seus devotos, o que implica que Ele é o poderoso Tigre que vai consumir o ego, a raiz de toda a infelicidade. Assim, por meio desta peculiar comparação, Sri Bhagavan está mais uma vez a enfatizar que a única verdadeira Salvação é a completa aniquilação do ego ou individualidade; deste modo, "ser destruído" é "ser salvo"! 







Uma vez que Aquilo que veio na forma do Sadguru é nada mais do que - como a luz do sol  - o vasto Espaço que tudo permeia do Supremo Jnana, a nobre atitude de não dar nenhum espaço [naquele vasto Espaço] para o emergir da mente individual ['eu'] é a adoração digna de ser realizada ao Sadguru. Saiba, assim. 


A dissolução do gelo - o ego, "eu sou o corpo" -  no oceano de Guru-Bodham [Consciência], que brilha como o bem-aventurado único Ser, é a correcta adoração do GuruSaiba, assim.

  

Aqueles que, através de devoção rara, intensa e crescente, existem confiando unicamente no olhar penetrante da graça do Guru viverão neste mundo como Indra. Não haverá sofrimento para eles.

(Indra é o rei dos devas e tem todas as alegrias do céu a seus pés.)


Guruvachaka Kovai, 313-315-324
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar 










O Senhor Shiva, que ama movimentar-se intimamente entre os seus devotos de mente-clara, esconde a sua forma real [como um ser humano], entra no grupo sagrado daqueles que Lhe oferecem devoção incondicional, como se Ele fosse um entre eles, tendo imenso prazer na sua santa companhia.


Guruvachaka Kovai, 334
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar 




Sri Muruganar: Assim Sri Bhagavan indirectamente nos diz que o Sadguru não é senão o Próprio Shiva







Uma vez que só o conhecimento sem-imperfeição, não-dual  [advaita jnana], brilha como o objectivo da observância de todos os tipos de dharmas, só o Jnani  é aquele que observou todos os dharmas.

Guruvachaka Kovai, 705
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar 




Sadhu OmAqui Sri Bhagavan explica o significado correcto das palavras "o dharma de cada um" [svadharma] usado por Sri Krishna na Bhagavad Gita, cap.3, v.35, enquanto ensinava sobre karmas e dharmas
'Sva' significa Ser, e dharma significa estar estabelecido nele. Portanto, permanecer-no-Ser [atmanishtha] por si só é o verdadeiro svadharma, adequado para todas as pessoas. Assim o segredo de karma e dharma é ensinado neste capítulo.



Tradução: Blog 'Texto Meditativo'





A Canção do Ser