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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Guru Vachaka Kovai - Grinalda de Palavras do Guru (5)







Se os fortes perseguem os fracos através do seu grande poder, o sábio deve perceber que Deus, que incansavelmente se apieda dos fracos, julgará esses actos de opressão e aplicará o castigo apropriado. É dever [dos sábios] agir com compaixão para com os oprimidos.

Guruvachaka Kovai, 811
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar








Sadhu Om:  
Neste versículo ensina-se que, em vez da natureza rajásica, a qual pede para atacar a pessoa forte e cruel, é mais adequada para um aspirante a natureza sátvica, que leva a ajudar o aflito. Neste contexto, vale a pena lembrar como Sri Bhagavan uma vez impediu um devoto de atacar os ladrões que Lhe haviam batido e como Ele estava empenhado em aplicar um bálsamo nas feridas dos devotos e do cão que havia sido espancado pelos ladrões.







A grande ilusão causada pelo ego ignorante cria o sentido de separação que concebe as diferenças como Guru-discípulo, Shiva-jiva, etc. A realização do Estado de Silêncio onde tal sentido de separação nunca surge é a significativa Namaskaram [reverência], que se deve fazer para com o Guru. (310)


Aquelas pessoas ignorantes que são contrárias à justiça em virtude da sua conduta ofensiva e sem coração, irão, infelizmente, com os seus corações eivados de medo, espancar até à morte criaturas lastimáveis inundadas pelo pecado, como cobras venenosas sibilantes que mordem e matam. (813)



Guruvachaka Kovai, 310 - 813
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar




Sadhu Om: 
A "justiça" mencionada neste versículo significa compaixão para com os seres vivos [bhuta daya], que pode verdadeiramente existir apenas como um resultado do destemor indicado no versículo 310, nomeadamente o destemor até diante da morte. Este destemor vai despertar numa pessoa somente quando a ignorância "eu sou o corpo” é destruída. 
Aqueles em quem essa ignorância não foi destruída irão, naturalmente, sentir medo, devido ao seu apego ao corpo, quando vêem criaturas venenosas tais como serpentes, e portanto irão sentir ódio por elas e vão bater-lhes até à morte. A fim de instruir que é errado fazê-lo, tais hábitos estão descritos neste versículo como "maus hábitos” e “contrários à justiça ", e as pessoas que têm tais hábitos são descritas como "ignorante e indignas". 
Dado que a própria natureza dessas criaturas é serem venenosas e ferirem os outros, diz-se que estão cheias de pecado e que são de lastimar. Portanto, apesar de nos fazerem mal, matá-las não é um acto de justiça.

Sri Muruganar: 
Não só criaturas como cobras venenosas, mas também as pessoas que cometem actos pecaminosos, são motivadas inconscientemente pelo ódio inato. Por isso, por muito pecaminosas que possam ser, não nos devemos zangar, mas devemos apenas ter pena delas pela sua ignorância.









Aqueles cujos actos se desviam do estado de ver e tratar todos igualmente acabam por rejeitar Deus, que é a própria imparcialidade. Embora eles adorem a Deus meticulosamente, de facto contradizem tanto essa adoração, que a anula.



Guruvachaka Kovai, 818
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar 




Sadhu Om: 
Dado que igualdade [samatvam] é a natureza de Deus, a Experiência de Deus é chamada de samadhi [o estado em que a mente permanece em equilíbrio]. Assim, aqueles que negam a igualdade a outros, estão a ir contra Deus. 


Sri Muruganar: 
Assim como o sol ou a chuva, Deus não rejeita ninguém. Sri Swami Ramalinga invoca, "Ó Igualdade, que permaneces imparcial, tanto para pessoas boas como más ". 
Portanto, os devotos também não devem desviar-se do estado de igualdade; se se desviam, então a sua adoração a Deus não é válida.










O Atma-swarupa, a realidade invariável que permanece uniforme como o Senhor de todos os jivas e como 'Eu-Eu' nos seus corações, brilha na forma da verdade, que é a fonte de todos os dharmas. Portanto, se uma pessoa quebra a sua promessa, mesmo que seja num momento de perigo para a sua vida, isso irá resultar em sofrimento inevitável para ela.

Guruvachaka Kovai, 821
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar









A PRÁTICA DA VERDADE

A Grandeza da Instrução


As mentes perplexas e confusas dos devotos fluem e fogem para os caminhos sem valor dos sentidos. Esteja certo de que as palavras sábias daquele que tomou firme posse do Coração [o Guru] são os indicadores excelentes para o objectivo de levarem as suas mentes a habitar no Coração, cessando o seu fluxo para fora. (502)



O verdadeiro conhecimento [jnana] não vai amanhecer sem se explorar interiormente a essência da instrução "Tu És Isso” incessantemente proferida, através do Seu olhar eloquente, pelo Sadguru, O Ser, a forma de Shiva [na Terra], habitando no coração dos Seus devotos. (503)


O brilho ininterrupto do Ser, a vida da vida, como a consciência natural “Eu-Eu” no coração é a natureza da dádiva de Deus de upadesa ininterrupta ao discípulo merecedor. (504)

Sadhu Om: 
Este versículo explica ainda as ideias reveladas na instrução: 
"Para algumas almas altamente maduras acontece que o Senhor revela a Realidade a partir de dentro por ser Ele o Conhecimento do seu conhecimento", 
dada por Sri Bhagavan como resposta à oitava pergunta:
"Como é que alguns Sábios atingem o conhecimento supremo, mesmo sem um Guru?", 
no capítulo 'Upadesa' no livro Upadesa Manjari. Este versículo explica como o Ser, sendo o Guru interior, ensina o verdadeiro conhecimento a uma alma completamente madura mesmo sem tomar uma forma humana exterior. O brilho de 'Eu-Eu', a essência da consciência “sou”, é o ensinamento silencioso do Guru interior, o Ser. 
Uma vez que o conhecimento supremo, não-dual, não é senão a Auto-consciência "Eu sou", o seu brilho como 'Eu-Eu' por si mesmo é o conselho interior silencioso do Guru induzindo o discípulo [a mente] a permanecer sempre n’Ele. É assim que o Ser actua como o Guru interior.

 


Guruvachaka Kovai, 502 - 503 - 504
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar









Saiba que a essência da verdade suprema que é batida [como a manteiga, a partir do leite] a partir dos quatro Vedas, que estão cheios de palavras que dissipam a ignorância, é a palavra única, Silêncio, que é “a unidade da alma individual com o Supremo” [jiva-brahma-aikya].


Guruvachaka Kovai, 505
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar









Qualidades diabólicas [asura sambat] só trarão ruína. Sabendo bem isto, desenvolva apenas qualidades divinas [deyva sambat]. Apenas Upasana, que semeará qualidades divinas no coração, salvará a sua alma.

Guruvachaka Kovai, 511
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar





Sadhu Om: 
Aqui, upasana deve ser entendida como agarrar-se a Si Mesmo, ou seja, atender ao Ser, que é Auto-investigação. Pois a Auto-investigação por si só concede toda as qualidades divinas [deyva sambat]. A palavra "sambat" significa “aquilo que é ganho”. Uma vez que todas as coisas ganhas externamente trarão apenas infelicidade ao jiva, só "deyva Sambat" é digno de se ganhar, e é desenvolvido exclusivamente pela Auto-investigação.









O Poder do Yoga

Tendo tomado o gosto do ver através dos sentidos enganadores diminuir, e assim ter terminado o falso conhecimento objectivo da mente, o ego saltitante, conhecer a luz sem luz [prajna ou Auto-consciência] e o som sem som [o Atma-sphurana “Eu sou “] no coração é o verdadeiro poder do yoga [yoga-sakti].  (691)



Uma vez que é só o esforço feito em vidas passadas que depois, amadurecendo, se torna o prarabdha [dos nascimentos presente e futuros], saiba que também é possível, para quem já havia feito esse esforço, mudar o prarabdha através do esforço raro [de se voltar para o Ser].  (692)


Michael James:As palavras "esforço raro" que Sri Bhagavan usa aqui devem ser entendidas como significando apenas o esforço de voltar a mente em direcção ao Ser, porque este esforço é raramente feito pelos jivas e, portanto, é o mais raro de todos os esforços. As palavras "mudar o prarabdha” devem ser entendidas como “transcender o prarabdha”, porque pelo esforço de Auto-atenção a pessoa perde o sentido de individualidade (bem como o sentido de ser o fazedor e o experienciador, que são inerentes à individualidade) e portanto, não pode mais experimentar o prarabdha. Esta ideia é confirmada no versículo seguinte.



Não importa que bons karmas tenham produzido que prazeres ou que maus karmas tenham produzido que dores, como seu resultado; conquiste o poder de ambos mergulhando a mente no seu próprio Ser, a Realidade suprema.  (693)



Sadhu Om:Quando a mente mergulha no Ser, o sentido de ser o fazedor e de ser o experienciador é perdido. Então, uma vez que deixa de haver alguém para experimentar o prarabdha, diz-se que o prarabdha foi conquistado. Consulte também o versículo 38 de Ulladu Narpadu e o versículo 33 de Ulladu Narpadu - Anubandham.

Guruvachaka Kovai, 691 - 692 - 693
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar













Controlo da Respiração


Desistir do nome e da forma [os falsos aspectos] do mundo - que consiste na existência, consciência, bem-aventurança, nome e forma - é a exalação [rechaka], realizar a existência – consciência – bem-venturança é a inalação [puraka], e permanecer sempre firmemente como existência – consciência – bem-aventurança é a retenção [kumbhaka]. Faça [tal pranayama]. (700)


Sadhu Om: 
Pranayama significa a prática de regular a respiração. No raja yoga, exalar a respiração é chamado rechaka, inalar a respiração é chamado puraka, e reter a respiração nos pulmões é chamado kumbhaka. 
Neste versículo, o verdadeiro significado do pranayama é descrito segundo o jnana marga. Consulte também o capítulo X, 'Jnanashtanga', da obra Vichara Sangraham de Sri Bhagavan, onde esta mesma ideia é transmitida. 

Sri Muruganar: 
Além dos cinco aspectos de Brahman, ou seja, existência, consciência, bem-aventurança, nome e forma [sat, chit, ananda, nama e rupa], as características distintivas do mundo são nome e forma e, portanto, desistir completamente destas duas é rechaka. Portanto, quando o nome e forma ilusórios são abandonados como uma imaginação ou miragem, o que resta são os verdadeiros aspectos [satya amsas], ou seja, existência, consciência e bem-aventurança. 
Uma vez que estes três, que são as características distintivas do Ser, são a realidade do mundo, realizá-los é puraka. Permanecendo sempre nessa realização é kumbhaka. Ou seja, destruir as tendências para o mundo [loka-vasanas], realizar o Ser e sempre permanecer como Ele, é o significado de Jnanapranayama. Embora sat, chit e ananda sejam nomeados como sendo três coisas diferentes, na prática eles são realmente uma e a mesma coisa. Neste contexto, ver também o versículo 979 desta obra.



Desistir completamente da noção de "eu sou o corpo" é rechaka; mergulhar interiormente através do escrutínio subtil "Quem sou eu?" é puraka; e permanecer como um com o Ser como "Eu sou Isso" é kumbhaka - tal é jnanapranayama (701)


Sadhu Om 
No versículo anterior foi dito que desistir dos nomes e formas do mundo é rechaka. E uma vez que prestar atenção ao Ser incessantemente é realizar existência – consciência – bem-aventurança, que é a realidade tanto do mundo como de si mesmo, mergulhar interiormente investigando "Quem sou eu?", é dito aqui ser o correcto puraka. Dado que existência, consciência e bem-aventurança na verdade não são três coisas diferentes, mas apenas o Ser, permanecer sempre como Ser é dito aqui ser o correto kumbhaka. Assim, neste versículo, jnanapranayama, de acordo com o caminho de Sri Ramana é explicado de uma forma mais prática.



Quando alguém, que foi iludido e julga que é a mente, e que esteve vagueando [através de nascimentos e mortes], desiste da sua vida de sonho ilusório, investiga o Ser, o seu próprio estado, e permanece sempre como o Ser, esse é o verdadeiro pranayama. Assim deveria saber.  (702) 


Neste versículo, desistirmos da nossa vida de sonho ilusório é entendido como rechaka, investigar o Ser, o nosso próprio estado, é entendido como puraka, e permanecer sempre no Ser é entendido como kumbhaka.



Guruvachaka Kovai, 700 - 701 - 702
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar









Ele [o Jnani] que permanece como Siva em Si mesmo, tendo destruído a mente [o conhecimento limitado "Eu sou tal-e-tal"], reside igualmente em todos os jivas [como o seu Eu real, o conhecimento ilimitado "Eu Sou"]. 

[Por isso] ao meditar sobre a forma [swarupa] d'Ele, que brilha claramente como um Mukta, [por Sua Graça] a verdadeira luz [do Auto-conhecimento] brilhará a partir de dentro [como o sphurana 'Eu-Eu'].



O swarupa do Jnani pode aqui significar tanto Sua forma física como a Sua verdadeira natureza. Mas uma vez que a verdadeira natureza do Jnani é o Ser, a nossa própria verdadeira natureza, que é comum a todos (samanya), e uma vez que este versículo aponta para a swarupa do Jnani em particular (visesha), aqui é mais adequado a palavra "swarupa" significar a Sua forma física. Além disso, quando lemos os outros versículos deste capítulo, podemos perceber que estão todos relacionados com a grandeza da forma física do Jnani e o benefício inestimável a ser adquirido pela associação com essa forma. 
Sri Bhagavan louvava frequentemente a grande eficácia do sat-sang (associação ou contacto com um Jnani), e Ele também costumava salientar que o contacto mental é melhor do que o mero contacto físico (ver Day by Day, 9-3-46) . É por isso que Sri Bhagavan assegura neste versículo que através do pensamento na forma do Jnani, a verdadeira luz do Auto-conhecimento brilhará de dentro. Essa é também a razão pela qual Sri Bhagavan afirmou que pelo mero pensamento na forma de Arunachala, Mukti seria alcançado. 
Portanto, os devotos não precisam recear que o sat-sang de Sri Bhagavan não esteja disponível agora que a Sua forma física desapareceu; o Seu sat-sang está sempre disponível para os voltam a sua mente em direcção a Ele.  
Sri Muruganar:
O swarupa de um Mukta reside como o swarupa de Siva em todos os jivas. A fim de revelar que a razão pela qual a verdadeira luz vai brilhar por si própria no coração de quem pratica meditação sobre o Seu swarupa, diz-se, "Aquele que permanece como o próprio Siva", e, "Ele reside dentro de todos os jivas igualmente" 


Guru Vachaka Kovai, 1126
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar









Apenas a realização do nosso próprio swarupa, que é Brahman, o Conhecimento da Libertação, é o verdadeiro Jnana-Siddhi. Todos os outros oito tipos de siddhis pertencem apenas à mente instável e ao seu poder de imaginação.
  
Guru Vachaka Kovai, 224
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar



Tradução: Blog 'Texto Meditativo'

Consulta:




segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sri Ramanasramam - Agenda 2015 - Maio





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Aqueles que entraram no caminho puro da Auto-investigação - jnana-vichara - "Quem sou eu?", nunca se confundem nem perdem o rumo. A razão é que esse caminho é recto e directo, como a luz do sol. Ele lhes irá revelar a sua própria singularidade e incontestável clareza.

Guruvachaka Kovai, 393
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar


Sri Muruganar:  Ao contrário de karma, bhakti, yoga, etc., que, criticamente analisados, têm que ceder aos outros caminhos, mudando o seu curso e inflectindo um pouco, a Auto-investigação [investigação do Ser] nunca tem de ceder e mudar o seu curso, por causa da singularidade do Ser.
Portanto, Sri Bhagavan chama ao caminho da Auto-investigação o caminho puro e o caminho directo. 
Além disso, como se tem que ter pelo menos um pouco de Auto-atenção [atenção ao Ser] a fim de alcançar o Objectivo final, mesmo que se possa ter avançado através de alguns outros caminhos, este caminho é chamado por Sri Bhagavan de o caminho supremo. 
Uma vez que este caminho é comparado ao Sol, devemos considerar o Ser como sendo o Sol, e a Auto-investigação como sendo o seu raio.






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Se, em vez de prender a atenção no Coração, fechando os buracos [os sentidos através dos quais a atenção se apressa a fugir], você quebrar a barreira [se não seguir as instruções dos Sábios para o controlo da mente], isto é semelhante ao erro desastroso de arruinar uma vasta área de campos de cultivo por rebentar os diques construídos num lago e soltar toda a sua água.

Guruvachaka Kovai, 686
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar






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Para aqueles que sinceramente embarcaram no cumprimento do seu dever, [que é a permanência no Ser], escorregar do estado de Ser que possui a excelência da não-dualidade é em si mesmo uma falta grave. Sendo assim, ao reflectir sobre isto, pode a ingerência nos assuntos alheios ser coerente [com esse dever]?

Guruvachaka Kovai, 786
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar


Sadhu Om:   
No versículo 266 do Tirukkural, Tiruvalluvar diz, "Só aqueles que fazem Tapas são aqueles que fazem seus deveres". Portanto, o principal dever ou dharma de um aspirante é fazer o verdadeiro Tapas de prestar atenção e permanecer no Ser. Por isso, abrandamento na Auto-atenção é um deslizamento de um dever ou dharma; em outras palavras, prestar atenção a outras coisas é o pecado de adharma. 
Sendo assim, quanto mais pecado não será se um aspirante interfere nos assuntos dos outros?







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A conduta de um Discípulo


Por tudo isso, o dever de um discípulo é de, mesmo em sonhos, seguir
firmemente e respeitar o digno ensinamento da Sua experiência imortal
dado pelo Guru, que brilha com a mais alta qualidade divina, a de
Graça incausada [avyaja Karuna]. (798)



Sadhu Om: 
A expressão 'por tudo isso' que inicia este versículo, faz alusão ao mesmo ‘por tudo isso’ que é utilizado na seguinte passagem de 'Quem sou eu?': "Assim como a presa que caiu nas garras de um tigre não pode escapar, assim também aqueles que se tornaram alvo do olhar da Graça do Guru serão certamente salvos e nunca estarão desamparados; Por tudo isso, deve-se seguir sem falhar o caminho mostrado pelo Guru".
Ver o Versículo 284.



Se acontecer que mesmo os melhores, que abraçaram firmemente os meios para se redimirem das misérias do samsara, se desviem do comportamento prescrito pelos Vedas, seja devido a esquecimento ou qualquer outro motivo [tais como pobreza ou doença], eles não devem em nenhum caso transgredir as instruções do Guru que lhes falou sobre a verdade suprema. (799)


Sadhu Om:


Embora os Vedas tenham sido dados pelo Próprio Deus para o bem daqueles que têm seguido os Vedas ao longo de muitas vidas e que deste modo atingiram a maturidade de espírito, Ele finalmente toma a forma do Guru pela Sua Graça e ensina o caminho da investigação-do-Ser, Auto-investigação, para que possam alcançar a união não-dual com Ele e, assim, desfrutar d’ Ele, a suprema bem-aventurança.
Quando Deus vem, assim, na forma do Guru, as Suas palavras devem ser tomadas pelo discípulo como mais importantes e sagradas do que as palavras dos Vedas, porque as palavras do Guru são instruções dadas a ele de acordo com o seu estado de maturidade, enquanto que as palavras dos Vedas foram as instruções dadas a ele para se adequarem ao seu então estado de imaturidade.
Assim, neste versículo está implícito que, se algumas das regras dos Vedas representarem obstáculos à Auto-investigação, até mesmo as palavras dos Vedas devem ser abandonadas.




As palavras dos sábios dizem que se alguém faz mal [apacharam] a Deus, isso pode ser corrigido através da Graça do Guru, mas um apacharam feito ao Guru não pode ser corrigido nem mesmo por Deus. (800)


Sri Muruganar:

As palavras "códigos Védicos" [veda-neri] significam as observâncias [acharas] e assim por diante prescritas nos Vedas.

Àqueles que se desviam das palavras do Guru, é dito que mesmo que alguém se desvie dos códigos Védicos nunca deve desobedecer às palavras do Guru. Assim, salienta-se que a devoção ao Guru é superior à devoção a Deus.

Quando o verso 801 foi mostrado a Sri Bhagavan, Ele compôs um verso Seu transmitindo o mesmo significado. Este verso de Sri Bhagavan é transcrito abaixo como versículo B14, e também está incluído em Ulladu Narpadu Anubandham como o versículo 39. Uma vez que o significado desses dois versículos, que são traduções do versículo 87 do trabalho de Sri Adi Sankara Tattvopadesa, é o mesmo, apenas uma tradução do versículo B14 é dada aqui.




Oh filho, que sempre tenha [a experiência da] não-dualidade [advaita] no Coração, mas que nunca expresse não-dualidade na acção. Não-dualidade pode ser aplicada em relação aos três mundos, mas saiba que não-dualidade nunca deve ser aplicada em relação ao Guru. (B14)

Michael James:

Os três mundos são Brahma Loka, Vishnu Loka e Siva Loka, e aplicar não-dualidade em relação aos três mundos significa ter uma atitude mental “Eu não sou diferente de Brahma, de Vishnu ou de Siva”. No entanto, enquanto o nosso ego ou individualidade sobrevive, não se deve ter a atitude “Eu não sou diferente do Guru”, uma vez que tal atitude seria um mero acto de imaginação e faria o nosso ego aumentar ainda mais.
Assim, este versículo sublinha a mesma ideia do versículo 800, ou seja, apesar do mal que se possa fazer a Deus, não se deve fazer nenhum mal ao Guru, porque o Guru deve ser considerado ainda mais sagrado até do que Deus.


Guruvachaka Kovai, 798-799-800-B14
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar







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Assim como por [o alimentar com] manteiga, um fogo irá resplandecer e não vai ser extinto, assim também por satisfazer desejos, o fogo do desejo nunca vai diminuir.


Guruvachaka Kovai, 592
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar



A palavra em Tamil é 'kama', que denota desejo em geral e luxúria em particular.

Em forma de poema:

Não extinta, e com furor ardente
A chama, com manteiga se fortalece;
O fogo do desejo nunca desaparece
Quanto mais e mais se contente.






 Arunachala - Deepam-O grande carro do Senhor Arunachala


Para o grande carro do templo percorrer as ruas e chegar com segurança ao seu destino, são indispensáveis não só os fortes sustentáculos que mantêm as rodas presas ao eixo, mas também os blocos de protecção que regulam os seus movimentos e as impedem de ficarem sem controlo e de se precipitarem para as bermas das ruas.


Guruvachaka Kovai, 620
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar




Sri Muruganar e Sadhu Om: 
Em todo este verso, apenas um exemplo [upamana] é dado e o 'exemplificado' [Upameya] é deixado para o leitor inferir. Deveria ser entendido como: 
"Da mesma forma, para um aspirante concluir com êxito o seu Tapas  ou sadhana (caminho espiritual), é indispensável não só um carácter e um modo de vida imaculado, mas também os obstáculos que vêm através de prarabdha*. Assim, um aspirante deve aceitar os obstáculos pacientemente, vendo-os como sendo devidos à Graça”. 
Por exemplo, as palavras duras: "Para que serve tudo isto a alguém que é assim?", proferidas pelo irmão mais velho do jovem Venkataraman, quando pacientemente aceites, trouxeram ao mundo um grande Bhagavan Sri Ramana Maharshi. 
Não só por palavras como estas não intencionais, mas mesmo pelos problemas intencionais causados ​​por pessoas más, resultará um grande bem na vida de um aspirante.


* Prarabdha: Karma começado, também chamado "maduro" ou "activo"; aquele cujos efeitos inevitáveis se manifestam durante a vida presente na nossa própria natureza, isto é, aqueles que constituem o nosso carácter, e as múltiplas circunstâncias que nos rodeiam. 







O fruto de [o Guru] permitir um fracasso nos esforços de um sadhaka* é fazer com que ele compreenda que somente pela Graça do Guru e não apenas pelo próprio esforço é possível ser obtido Siddhi [a realização do auto-conhecimento], e [assim] o preparar para buscar a Graça do Guru.

Guruvachaka Kovai, 794
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar


* Sadhaka: Praticante de uma caminho espiritual (Sadhana)

Sadhu Om: 
A aniquilação do ego é o objectivo de todas as sadhanas espirituais. Mas se parecer que existe sucesso nos esforços de um aspirante, não irá haver oportunidade para que o ego irrompa de novo crescendo com mais força, pelo menos na forma "Eu tenho feito muito tapas e consegui" ? 
Portanto, a fim de impedir que tal coisa aconteça, mesmo nos esforços mais sinceros de um aspirante, os fracassos são muitas vezes provocados pela Graça do Guru. 







Deixe o que acontece acontecer na forma como acontece [isto é, como está destinado por Deus a acontecer]. Não entretenha o menor pensamento de ir contra. Sem embarcar em qualquer novo empreendimento, torne-se um com o vidente que vê o olho, aquele que permanece pacificamente imerso no Coração..

Guruvachaka Kovai, 793
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar




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Maior do que a quietude não há realização; maior do que a quietude não há  nenhum esforço; maior do que a quietude não há Tapas; maior do que a [vida em] quietude não existe vida imortal.


Guruvachaka Kovai, 796
Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar



  
Sri Muruganar: 
O que aqui é chamado de quietude é o estado de Silêncio da mente. Isto pode ser conseguido apenas por incessante inquirição [vichara]. Quando a mente sabe que na verdade não há nada para rejeitar ou aceitar, ela vai perder os seus movimentos [chalana] e vai permanecer na paz suprema [parama-Santi]. Uma vez que essa paz é a semente do estado natural [sahaja], é dito aqui que é a "vida imortal" [amara vazhvu].





A agitação é o inimigo que dá problemas; agitação conduz à prática de pecados hediondos; agitação é embriaguez; agitação da mente é profundo e escuro poço.

Guruvachaka Kovai, 797

Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar



Sri Muruganar:
Uma vez que o movimento rápido de pensamentos muito subtis é em si mesmo sofrimento, essa agitação é descrita aqui como embriaguez e como um inimigo hediondo.
Uma vez que todos os inimigos internos, tais como desejo, raiva e orgulho não são nada mais do que os movimentos subtis dos pensamentos, aquele que destruiu esse movimento, a partir desse momento, será desprovido de todos os tipos de inimigos, pecados hediondos, sofrimentos e do poço de ignorância.




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Fazer o bem aos outros




Aquele que engana os outros é seu próprio inimigo e está fazendo mal a si mesmo. (806)

  
Tudo o que se dá aos outros, se está dando apenas a si mesmo. Se esta verdade é compreendida, quem irá abster-se de dar aos outros? (807) 


Sadhu Om: 
A idéia expressa neste versículo pode ser encontrado em forma de prosa em “Quem sou eu?”


 

Uma vez que todos são o nosso próprio Ser, quem faz o que quer que seja [bem ou mal] a quem quer que seja, só o está a fazer a si mesmo. [Portanto, só se deve fazer o bem aos outros]. (808)


 



Ao dar esmolas a Sridhara [Senhor Vishnu], Mahabali tornou-se grande, embora tenha sido reprimido e enviado para Patala Loka [aos Pés do Senhor]. Portanto, "Embora
seja apenas uma desventura que se abate sobre alguém, por dar, o dar é digno, mesmo à custa de vender a si mesmo". (809) 



Guruvachaka Kovai, 806-807-808-809

Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar








Aquele que está sempre alegre, pronunciando palavras de conforto [abhaya] a todas as criaturas e se comportando de tal forma que nenhuma vai ter medo dele, não teme nem mesmo Yama [o Deus da morte], uma vez que se encontra estabelecido no estado de igualdade, sendo o espelho do Ser.


Guruvachaka Kovai, 810

Grinalda das Palavras do Guru, de Muruganar



Sadhu Om:
Já que todos têm grande apego ao seu corpo como "eu" e uma vez que a morte os separa do seu corpo, todos temem a morte. Mas uma vez que um Jnani tem a experiência de estar separado do corpo, mesmo enquanto Ele está a viver no corpo, só Ele pode não ter nenhum medo da morte e, portanto, pode dar abhaya ou refúgio a qualquer um.



Tradução: Blog 'Texto Meditativo'

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